Quando as mulheres contam histórias: A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas (2002) – a construção da memória familiar pela contação de histórias
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v15i1.10004Resumo
Neste texto buscamos mostrar como as tradições da oralidade são incorporadas, também, pela escrita romanesca hodierna latino-americana (OLIVEIRA, 2019). Para isso, propomos realizar a leitura do romance A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas (2002), de Maria José Silveira. Essa obra é por nós classificada como um romance histórico contemporâneo de mediação, de acordo às proposições teóricas de Fleck (2017). As características dessa modalidade expressiva do gênero são apontadas por nós ao longo do texto e suas especificidades são discutidas com base, também, em Klock (2020), Oliveira (2019), entre outros. Na diegese desse romance, a narradora exerce a função de “contadora de histórias” (SANTOS; APOEMA; ARAPIRACA, 2018), traço cultural dos povos ancestrais da América. Por meio da evocação das memórias familiares, a enunciação destaca a importância das mulheres na construção da sociedade brasileira ao longo dos 500 anos de história da nação. Para tratarmos da figuração da mulher na história e na literatura, valemo-nos dos pressupostos de Zolin (2009); Lopez (2020), Uber (2022), entre outros. Demostramos, assim, que o romance histórico em suas vertentes críticas latino-americanas (FERNÁNDEZ PRIETO, 2003; LARIOS, 1997; KLOCK, 2020) apresenta projetos estéticos decoloniais (MIGNOLO, 2017; LUGONES, 2019) que valorizam, na escrita literária, as tradições da oralidade. Isso resulta na valorização, na preservação e na resistência dessas expressões da cultura popular das nações da América Latina.
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Referências
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