Saque e assassinato: a violência contra a mulher no filme Grito da terra

Autores

  • Mauricio Matos dos Santos Pereira IHAC/UFBA

DOI:

https://doi.org/10.13102/lm.v9i1.4537

Palavras-chave:

violência, mulheres, subjetividade, cinema, ditadura.

Resumo

Partindo do duplo lugar de gênero construído pelas personagens de Mariá e de Lóli, no filme O Grito da Terra (1964), de Olney São Paulo, o presente artigo discute a violência contra a mulher como signo tanto da permanência das relações articuladas com a tradição familiar, quanto da opressão sofrida pelas duas famílias de pequenos agricultores moradores de uma região pobre do Brasil que não havia conhecido modernização, diante do poder local dos grandes proprietários de terra. Produzido em contexto de autoritarismo de Estado, o argumento sobre o lugar da violência contra as mulheres no filme não se encontra dissociado da história, da cultura e da vida política do país, mas torna visível uma violência estrutural sobre os subalternos, que não tinham sido reconhecidos pelo processo encampado pela ditadura militar, pelos movimentos de crítica ao regime sobretudo via cinema, e pela implantação da indústria cultural. Nesse aparente vazio que se abre pelo não reconhecimento deste outro habitante pobre e mulher de tal região, levando em conta as diferentes trajetórias de vida construídas no filme pelas relações que tais mulheres travam ao longo da narrativa, interessam os significados e valores postos em circulação nas relações deste corpo feminino com as forças políticas da região, tais como o Coronel Sebastião dono de terra, o professor, além, mais estritamente falando, das relações domésticas das personagens com Apolinário, pai de Mariá, e Silvério, de Lóli.

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Publicado

2019-07-01

Como Citar

Pereira, M. M. dos S. (2019). Saque e assassinato: a violência contra a mulher no filme Grito da terra. Revista Légua E Meia, 9(1), 36–53. https://doi.org/10.13102/lm.v9i1.4537

Edição

Seção

Dossiê: Imagens do Sertão na Literatura e no Cinema