Gênero e sociedade:a construção dos papéis de gênero na obra Niketche: uma história da poligamia
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v12i2.7299Palavras-chave:
Literatura, Moçambique, Gênero, Poligamia, Colonialismo.Resumo
Resumo: A partir da leitura da obra Niketche: uma história de poligamia (2002), da escritora moçambicana Pauline Chiziane, propõe-se aqui uma análise que se vincula a quatro polos discursivos principais: a condição da mulher, o papel do homem negro, a influência da colonização e o status quo da poligamia na sociedade moçambicana. O presente trabalho procura então estabelecer os vínculos primordiais entre essa sociedade e os recortes de gênero nas relações presentes na obra Niketche: uma história de poligamia (2002). Temas como cultura e colonização são debatidos ao longo do texto a fim de ajudar no entendimento de como as mulheres, dentro da obra, trazem imbricados em si aspectos da cultura de cada região do país e como o processo de colonização interfere nas dinâmicas de gênero e cultura. Para isso foi feita uma pesquisa bibliográfica, acerca do tema abordado, apoiada em autores como: Lugarinho (2013, 2017), Fanon (2008), Beauvoir (1967), entre outros. Por fim, percebeu-se, ao longo do trabalho, que as dinâmicas de gênero sofreram influência direta da colonização contribuindo para a assimilação da cultura europeia em espaços moçambicanos. Além disso, nota-se que as tradições culturais de grupos étnicos ainda sobrevivem e se fazem presentes nas figuras das personagens: Julieta, Luísa, Saly e Mauá. No mais, foi pontuado como se deu o processo de emancipação dessas mulheres e a condição de Tony, que dentro da obra ocupa uma dupla posição antagônica, ora é opressor, mas não deixa de ser também oprimido, dentro de um regime que ainda cultiva um caráter colonial.
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