Desigualdades na Bahia em tempos de pandemia em Capitães da Areia de Jorge Amado
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v12i1.7682Resumo
Este artigo põe em diálogo a questão da pandemia de covid-19 com a epidemia de varíola representada no romance Capitães da Areia da autoria de Jorge Amado e também no filme homônimo com a direção de Cecília Amado, neta do escritor baiano. O ponto de vista é o de considerar o panorama político brasileiro atual, caracterizado pela Necropolítica, termo criado por Achille Mbembe para denominar a expressão máxima da soberania política que reside no poder ditar quem pode viver e quem deve morrer. Tal panorama se apresenta também no romance e no filme, mas sobretudo contemporaneamente pela conduta do presidente do país que explicitamente nega, banaliza e dificulta as ações para debelar a epidemia, chamando a atenção de outros países. Essa atitude agrava a vida da população mais pobre que tem que se expor para ganhar o seu sustento, não podendo cumprir a quarentena para evitar a transmissão do vírus, adoecendo e morrendo mais do que aqueles podem se resguardar. Essa relação já está presente no canal Youtube, no qual observaram semelhança entre Jair Bolsonaro e Odorico Paraguaçu, personagem de novela de sucesso, que queria se beneficiar de uma certa epidemia.
Palavras chave: desigualdades; pandemia, necropolítica.
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