Cidade alta, cidade baixa: as potências e os desafios da implementação de um Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade em Salvador
DOI:
https://doi.org/10.13102/rscdauefs.v15i4.12442Palavras-chave:
Residência Médica; Medicina de Família e Comunidade; Educação Médica; Currículo;Resumo
esumo: Este ensaio analisa criticamente a experiência de implementação do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador no período entre 2019 e 2025, examinando seus fundamentos teóricos, estratégias pedagógicas, mecanismos de gestão e impactos na rede de saúde. O PRMFC-SMS-SSA estrutura-se em uma matriz curricular crítico-reflexiva ancorada na educação emancipatória freiriana, mantendo referências tradicionais da especialidade, como a Medicina Centrada na Pessoa, ao passo que avança incorporando a transversalidade dos debates sobre colonialidade, raça, gênero e classe. A gestão adota princípios da cogestão e do Método Paideia, fortalecidos pela noção de aquilombamento como estratégia coletiva de cuidado e resistência. Ao longo dos seis anos analisados, o programa enfrentou desafios estruturais, como insuficiência de preceptores, precariedade de serviços de APS e impactos da pandemia de COVID-19, que exigiram resiliência na organização pedagógica e administrativa. Entre seus resultados, destacam-se a contribuição na qualificação de serviços da rede municipal, como demonstrado no papel da residência na ampliação da carteira de serviços; alcance de protagonismo nacional em debates sobre currículo, equidade e reforma psiquiátrica; e, principalmente, a formação de especialistas com aprofundamento crítico e potencial transformador da realidade dos cuidados em saúde. Conclui-se que a experiência evidencia a viabilidade de residências municipais não terceirizadas e reafirma a importância de modelos formativos críticos, territorializados e comprometidos com a transformação do cuidado e das desigualdades estruturais no SUS.
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