Singularidades da enfermagem em Unidades da Estratégia Saúde da Família de Feira de Santana, Bahia
DOI:
https://doi.org/10.13102/rscdauefs.v11i2.7613Palavras-chave:
Estratégia Saúde da Família, Enfermagem, Prazer, Sofrimento, Estresse PsíquicoResumo
Este artigo tem por objetivo analisar e discutir o processo de trabalho de enfermeiras(os) que atuavam na ESF enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Trata-se de um estudo de caso, qualitativo, com oito profissionais da enfermagem, de nível superior. As técnicas de coleta de dados utilizadas foram a entrevista semiestruturada e observação sistemática e o método de análise, a de conteúdo do tipo temático. Os resultados identificaram uma percepção de prazer relacionada à redução do sofrimento do outro e o reconhecimento decorrente. Tal percepção de bem-estar também se associava à satisfação com o trabalho. Embora existissem facilidades para a execução do trabalho, as dificuldades se mostraram-se mais enfáticas e, em sua maioria, fora do poder de governabilidade da(o) enfermeira(o). O desgaste provinha da sobrecarga de atividades, do excesso de fazeres burocráticos e participação incipiente da comunidade nas atividades educativas da ESF. As estratégias de enfrentamento apontaram para táticas individualizadas pouco eficazes para a transposição do sofrimento laboral com nuances de comportamentos submissos, uso de atividades evasivas, como lazer, atividade física, busca religiosa, conversas, ações pontuais que não incidiam diretamente sobre as causas do sofrimento laboral, nem na transformação do trabalho e do sujeito.
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