A EXISTÊNCIA COMO COMPREENSÃO DE SER

Autores

  • Crislane Barreto Santana

DOI:

https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3187

Resumo

A investigação apresentada no presente resumo consiste na análise da existência
como compreensão de ser, conceitos expostos no tema investigativo, tal como “existência”,
“compreensão” e “ser”, estão presentes na obra Ser e Tempo (1927) do filósofo alemão Martin
Heidegger, que sustenta a base de todo pensar do vigente projeto. Introduzimos tal
pensamento sob a ótica da condição do homem como um ente que não deve ser pensado
separadamente do mundo que habita. Diante disso, a investigação filosófica sobre o conceito
de homem, o qual será referido a partir de agora como Dasein, o ente que questiona seu
próprio ser, que compreende as “coisas” a sua volta. “Dasein é uma palavra composta pelo
verbo ‘ser’ (sein) e pelo advérbio ‘aí’ (da). Em acepção existencial-ontológica, o Dasein é
ente cuja essência pertence ao ser; que existe enquanto (aí) – no aberto, em abertura para o
Ser.” (GIACOIA, 2013). Dito isto, investigamos como se dá a relação do Dasein com o
sentido, partindo da primazia ontológica do Dasein como existência, que sustenta-se na
fundamental pergunta sobre o sentido do ser, em correlação estreita à noção de ontologia
fundamental que se deu como o fio condutor para está investigação. O Dasein é o único ente
que compreende seu ser, e essa compreensão se dá através do modo de relacionar-se e
comportar-se com os outros entes e consigo mesmo. Neste modo de comporta-se se dá a précompreensão,
que deve ser entendida a priori na relação entre Dasein, mundo e linguagem, já
que este ente tem como condição existencial ser-no-mundo e, por isso, abre campos de
possibilidades.
Tomamos aqui como existenciais, todo modo originário de ser que se constitui
como abertura existencial do Dasein; esses existenciais estruturam-se e se
originam conjuntamente facultando o sentido e possibilitando ao Dasein formas
de ação entrelaçadas ao mundo. Estas estruturas são chamadas de “existenciais”
porque se referem às estruturas fundamentais do ente que “existe”, o Dasein. Os
existenciais são características fundamentais ontológicas do Dasein, que se
determinam a partir de sua existência. Heidegger, 2014, § 4 e 9 pág.48/85.
Essas possibilidades nos aparecem no campo do compreensível e possível da
interpretação, pois esta estrutura interpretativa torna possível o sentido uma vez que o
perguntar constitui essencialmente o homem, ou seja, a linguagem possui o seu modo de ser
no Dasein. Em Ser e Tempo, Heidegger propõem uma ontologia fundamental como tentativa
de desconstrução da ontologia tradicional, tendo como ponto de partida uma fenomenologia
hermenêutica. Para elucidar a questão fundamental de seu pensamento, a pergunta pelo
sentido do ser, o filósofo retoma a tradição filosófica grega, a qual em sua história mostrou
principal interesse na questão do ser. Para Heidegger, alguns filósofos deste período
categorizaram o ser, caindo num equívoco carregado por grande parte da tradição filosófica
ocidental. A pergunta pelo sentido do ser não foi propriamente formulada,nem questionada
em sua amplitude deste então.

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Publicado

2018-03-23

Edição

Seção

Ciências Sociais, Humanas e Filosofia