A ORIGEM DO CONCEITO DE PATOLOGIA SOCIAL NA OBRA DE AXEL HONNETH E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PSICOLOGIA
DOI:
https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3212Resumo
Não é recente o diagnóstico de que a sociedade capitalista da modernidade tem
enfrentado uma crise de valores. A fim de entender as causas, os desdobramentos e
consequências dessa crise, Axel Honneth, atual diretor da Escola de Frankfurt, tem
desenvolvido por mais de 30 anos estudos relacionados ao tema da Patologia Social.
Nesse sentido, esse texto objetiva compartilhar o conhecimento que foi construído
através da pesquisa “A origem do conceito de Patologia Social na obra de Axel
Honneth e suas contribuições para a Psicologia”, realizada entre os anos de 2015 e
2016. Essa pesquisa visou compreender a genealogia do conceito de Patologia Social
nos escritos de Honneth, conhecer os autores que contribuíram para a formulação desse
conceito, elaborar uma relação entre normatividade ética e Patologia Social bem como
apontar um possível diálogo entre o tema da Patologia Social e a Psicologia do
Reconhecimento.
Nossa investigação desponta como um importante instrumento de embasamento
para discussões quanto às questões que impedem os sujeitos de alcançarem uma
qualidade de vida ideal, ou para utilizar a expressão do próprio Honneth: os impedem de
se autorrealizarem. Em tempos de crises, tais como vivem os brasileiros, é importante
ter um olhar mais apurado para as causas de possíveis sofrimentos que acometem os
indivíduos atualmente. Em última análise, compreender o que são as Patologias Sociais,
como se desenvolveu esse conceito e qual a normatividade que nos possibilita
diagnosticar uma Patologia Social é fundamental para compreender o caminho de uma
racionalidade socialmente eficaz.
Ao final chegamos à conclusão de que podemos dividir os escritos de Axel
Honneth sobre o conceito de Patologia Social em três grandes períodos: primeiro
período, na década de 80, diz respeito à busca das origens do conceito nas obras de
Georg Lukács. O segundo período de reatualização, marcado por textos escritos nos
anos 90, tem como foco as contribuições da Filosofia Social. Durante o terceiro período,
marcado por textos escritos dos 2000 em diante, Honneth se concentra na investigação
das obras dos escritores da Teoria Crítica em si mesma.