O uso de vírgula em dois corpora do século XIX: a escola como difusora do processo de gramaticalização

Autores

  • Williane Silva Corôa UNEB
  • Bruna Batista Silva Luz Uneb

DOI:

https://doi.org/10.13102/sitientibus.v2i65.11407

Resumo

Este trabalho tem por objetivo analisar o uso da vírgula em sintagmas vocativos em dois corpora do século XIX. O primeiro conjunto de dados é um conjunto de cartas escritas por brasileiros cultos, que foram reunidas por Carneiro (2005), em sua tese de doutorado. O segundo conjunto é de Atas da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), organizadas por Oliveira (2006). Ambos os corpora estão anotados morfológica e sintaticamente e estão disponíveis no site do Corpus Histórico do Português Tycho Brahe (https://www.tycho.iel.unicamp.br/corpus/). A hipótese levantada é que haja diferença entre os brasileiros mais escolarizados e os brasileiros menos escolarizados. Por isso, apresentamos, de forma breve, o processo de escolarização na Bahia no século XIX e a participação dos negros nesse processo. Também discutiremos o papel da escola no processo de gramatização do português brasileiro no século XIX. Os resultados encontrados indicam que o fator escolarização pesa quando observado o emprego da vírgula junto a sintagma vocativos. Esse resultado aponta não apenas para as diferenças no processo de escolarização mas também para o peso que a escola tem como difusora do processo de gramatização de uma língua.

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Publicado

2025-03-07

Como Citar

Silva Corôa, W., & Batista Silva Luz, B. (2025). O uso de vírgula em dois corpora do século XIX: a escola como difusora do processo de gramaticalização. Sitientibus, 2(65). https://doi.org/10.13102/sitientibus.v2i65.11407