O LABOR FILOLÓGICO E UMA CARTOGRAFIA DA LITERATURA NEGRA-FEMININA NA BAHIA
DOI:
https://doi.org/10.13102/sitientibus.v4i66.12842Resumo
O artigo investiga como o labor filológico contemporâneo contribui para a reelaboração da historiografia da literatura negra-feminina na Bahia, com base nas pesquisas do grupo Filologia das Letras Negras (FILEN). A partir de uma abordagem qualitativa, o estudo identifica e analisa a produção literária de autoras negras baianas das décadas de 1970 a 1990, destacando a dispersão e invisibilidade dessas obras em acervos, bibliotecas e espaços culturais. Foram catalogadas cerca de 14 autoras, cujas produções refletem contextos marcados por racismo, sexismo e exclusão do mercado editorial. O trabalho propõe a construção de uma cartografia dessas produções e a criação de um acervo digital, com o objetivo de preservar, reunir e dar visibilidade a essas textualidades. Fundamentado na Filologia, na Crítica Textual e em perspectivas como a crítica materialista negra, o estudo evidencia a importância de analisar não apenas o texto, mas também seus contextos de produção, circulação e recepção. Os resultados indicam que a ausência dessas obras nos acervos revela políticas de esquecimento que impactam a memória literária. Conclui-se que o trabalho filológico, aliado a iniciativas digitais, atua como prática ética e política de resistência, contribuindo para a valorização e preservação da literatura negra-feminina.
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