PROTAGONISMO FEMININO E ORGANIZAÇÃO SOCIOPOLÍTICA EM QUILOMBOS RURAIS DA BAHIA
Resumo
Com foco em vivências de mulheres quilombolas da Bahia que desempenham papéis de liderança em suas associações comunitárias, reconhecendo o processo histórico de invisibilização de suas lutas e resistências, objetiva-se compreender e publicizar o movimento de ampliação da presença de mulheres na presidência de entidades rurais do terceiro setor, interseccionando aspectos como gênero, raça e territorialidade. A abordagem é qualitativa, baseada na revisão bibliográfica e na Entrevista Compreensiva, enquanto instrumento de construção e análise de dados, identificando três unidades de sentido principais: protagonismo feminino, bem-estar
social e luta(s). As associações se mostraram uma eficiente ferramenta de integração e mudança social, promovendo processos de empoderamentos individuais e coletivos que atingem os níveis psicológico, organizacional e estrutural. Este protagonismo e utonomia sociopolíticos não isentam as mulheres de opressões veladas e explícitas, como violências domésticas e sobrecarga de tarefas cotidianas. Em suma, trata-se de muito suor derramado em trabalhos braçais, intelectuais, emocionais e políticos, marcados por redes de apoio e teias de solidariedade. Assim, incorporar cosmovisões de mulheres de comunidades tradicionais em produções
científicas e agenda governamental é imprescindível.
