Moralidade e política numa sociedade de massa

José Arthur Giannotti

Resumo


A longa e intensa crise em que a economia mundial mergulhou depois de 2008 obrigou os governos e os bancos centrais a aplicarem mecanismos keynesianos. Em consequência, foram recolocadas as tradicionais questões sobre os relacionamentos entre o sistema econômico, a política e o Estado. Revisitar Marx se tornou inevitável. A nova edição d’O Capital, preparada pela MEGA, coloca questões surpreendentes, mas que já se anunciavam para os estudiosos desse livro, principalmente para aqueles mais atentos às páginas soltas do III livro. O editor Engels terminou arredondando um conjunto textos que caminham em várias direções e que dificilmente mostram o movimento do capital caminhando para uma supercontradição que terminaria pondo em xeque a própria existência do sistema. Basta ler o capítulo sobre a tendência à queda do lucro para que se perceba que ela é muito mais um jogo de fatores que se contestam do que uma tendência nevrálgica do sistema. Os editores da nova edição da MEGA mostram que Marx abrira de tal forma o leque de suas investigações que o livro dificilmente encontraria seu fecho. E como Marx era um gênio aberto às novidades do capitalismo, ele mesmo escrevera uma carta em que afirmava lhe ser impossível terminar o livro, antes que a crise mundial daquela época delineasse os caminhos de sua superação. Tudo isso nos leva a recolocar uma série problemas. Quais são as relações entre o pensamento maduro de Marx e o marxismo? Sabemos que este se tornou uma ideologia a serviço de uma política imperialista da União Soviética e de seus aliados. Até a II Guerra mundial a crítica ao capital se dividia em dois campos. O campo marxista desenvolvendo uma teoria da história e uma teoria da luta de classes muito fechada que impediam a compreensão da política pós-guerra. O campo nazista transfigurou a crítica do capital numa crítica da ciência tecnocrata. O marxismo se torna uma teoria do conhecimento e a ideologia nazista uma fenomenologia da crise da razão. Vemos hoje como estes campos estão misturados. Voltar aos textos de Marx me parece um bom começo para superar tanta confusão. E repensar o modo de produção capitalista considerando o valor como uma substância — como nos ensina a crítica de Marx a Ricardo — nos obriga a colocar a tradicional questão do juízo de valor fora do dilema de uma volta a Hegel ou a Kant, em que se chafurdam os críticos atuais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i30.1319

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eISSN: 2359-6384