DAS SEPARAÇÕES À DESCOLONIZAÇÃO: UM COMPROMISSO DE LEITURA

Pedro Augusto Pereira Gonçalves

Resumo


O discurso filosófico ocidental da modernidade é marcado, em sua grande parte, pela separação completa entre os humanos e os animais. Immanuel Kant mobiliza um importante aparato argumentativo que, não apenas reafirma tal separação, mas estabelece a primeira definição filosófica, senão científica, do conceito de raça (BERNASCONI, 2001). Nosso interesse é apresentar a argumentação desenvolvida por Kant em alguns de seus textos mostrando o comprometimento dessa argumentação com: (i) a ideia de expropriação do mundo animal por meio do especismo, bem como (ii) a expansão colonial na medida em que “rebaixa” outras pessoas que não fazem parte da comunidade cosmopolita europeia de raça branca. Assim, é preciso entender a filosofia do esclarecimento vinculada ao compromisso com a supremacia branca (MILLS, 1997, 2006) que ilustra a ontologia ocidental bem marcada pela dominação feita pelos brancos aos povos não europeus, bem como pela exploração do animal. Argumentamos, portanto, que o esforço pelas descolonizações precisa acontecer nas leituras contemporâneas da filosofia, área que muitas vezes marginaliza temas fundamentais nas concepções de seu próprio campo especulativo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i35.1878

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eISSN: 2359-6384