A ARMADILHA DA TÉCNICA: ENTRE PENSAR E OBEDECER

Leidiane Coimbra

Resumo


A instalação burocrática que caracteriza as estruturas sociais definindo as relações humanas na contemporaneidade põe em risco a liberdade do homem em decidir sobre a sua vida e a sua existência, na medida em que não tem autonomia para agir livremente apartado das interferências exteriores. A esse nível de existência se interpõem questões que se referem ao modo como a época se apresenta, qual seja, tecnológica. Para alguns, a técnica é sinal de progresso e de organização da vida, sobretudo, quando como sinal dela é possível um autogerenciamento da rotina e das relações interpessoais. No entanto, à composição da técnica pertence uma ordenação do mundo, em que este e os homens tornam-se, em referência a ela, meros disponíveis. Sendo assim, o homem disponível à técnica é o que obedece ao gerenciamento proposto por ela, seja nas estruturas sociais a que pertence, seja de modo tão íntimo a determinar o modo como ele pensa e age. A técnica atua com dispositivos de controle, antecipação e rigor que determinam previamente o modo como tudo se dispõe. Nesse sentido, a atuação do homem contemporâneo fica restrita à obediência dessa dinâmica e seu pensamento atua a partir do que é disposto para ele pela técnica. Como esta atua através de cálculos e determinações prévias, o tipo de pensamento que obedece à sua dinâmica é o que calcula. O pensamento que calcula, no entanto, funciona a partir do que é dado, do que está à mão, sem abrir espaço para a surpresa. Ao contrário dele, o pensamento que medita atém-se ao mistério presente na surpresa e na novidade, acolhendo-os como morada e nele encontrando serenidade para se relacionar com o mundo e com os outros homens, abrindo-se para o desconhecido que neles existe.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i35.1883

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eISSN: 2359-6384