EXPRESSIVIDADE E SUBJETIVIDADE NO WITTGENSTEIN TARDIO
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i45.8290Resumo
RESUMO: O artigo apresenta algumas considerações acerca do papel da expressividade na significação da linguagem psicológica, o que será feito em três momentos. Pretendo mostrar, em primeiro lugar, que a expressividade da linguagem está enraizada na expressividade natural da ação humana, de forma ampla, o que significa ser muito difícil, da perspectiva de Wittgenstein, avaliar a expressividade simplesmente pela distinção de tipos de sentenças ou mesmo de jogos de linguagem, pois a expressividade não é uma característica ou função da linguagem, em abstrato, mas da ação humana, da qual faz parte a linguagem. Com isso, num segundo momento veremos como essa forma de compreender a expressividade leva a uma compreensão distinta da própria subjetividade, pois esta noção ajuda Wittgenstein a desmontar os pressupostos dos dualismos de tipo mentalista, tais como o interior versus o exterior ou o físico versus o mental, fundando uma particular concepção de ser humano, pensado por ele como um ser vivo no “fluxo da vida”, ou seja, em meio a suas interações com o mundo e os outros homens. Por fim, a concepção de Wittgenstein possibilita dissolver certas dificuldades na compreensão dos modos de significação da linguagem psicológica, em especial de termos como ‘eu’, que deixam de ser considerados a partir da referência a um mundo interior privado e inacessível intersubjetivamente. Por estarem ligados a ações expressivas, tais termos são compreendidos a partir dos lugares e papéis que os diferentes parceiros do jogo de linguagem podem ocupar nas práticas linguísticas, eliminado o caráter substancial da subjetividade para compreendê-la como constituída no conjunto de relações que os seres humanos compartilham intersubjetivamente.
PALAVRAS-CHAVE: Expressividade; Subjetividade; Linguagem psicológica; Ser humano; Eu.
ABSTRACT: This article presents some considerations about the role of expressiveness in the meaning of psychological language, which will be done in three moments. Firstly, I intend to show that the expressiveness of language is rooted in the natural expressiveness of human action, broadly, which means being very difficult, from Wittgenstein's perspective, to evaluate expressiveness simply by distinguishing types of sentences or even language games, because expressiveness is not a characteristic or function of language, in abstract, but of human action, of which language is part . In a second moment we will see how this way of understanding expressiveness leads to a distinct understanding of subjectivity itself, because this notion helps Wittgenstein to dismantle the assumptions of mentalist dualisms, such as the interior versus the exterior or the physical versus the mental, founding a particular conception of a human being, thought by him as a living being in the "flow of life", that is, in the midst of their interactions with the world and other men. Finally, Wittgenstein's conception makes it possible to dissolve certain difficulties in understanding the meaning modes of psychological language, especially terms such as 'I', which are no longer considered from the reference to a private and inaccessible inner world intersubjectively. Because they are linked to expressive actions, such terms are understood from the places and roles that the different partners of the language game can occupy in linguistic practices, eliminating the substantial character of subjectivity to recognize it as constituted in the set of relationships that human beings share intersubjectively.
KEYWORDS: Folk psychology; Postcognitivism; Belief; Mental concepts.
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Referências
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