HISTÓRIA EM AQUARELAS
DOI:
https://doi.org/10.13102/asppdci.v0i12.5163Abstract
Atento à diversidade de usos das fontes históricas, este artigo enfoca algumas
experiências de pesquisa que tivemos com fontes inquisitoriais, especialmente no que concerne à produção de ilustrações em aquarela. Através da narrativa de um caso de sacrilégio presente nas documentações produzidas pelo Santo Ofício
português, ocorrido no Recôncavo da Bahia, no início do século XVIII, nosso
objetivo é refletir sobre o referido caso, através da construção de imagens sobre o mesmo. Analisamos estes experimentos, tratando-os enquanto uma linguagem
diferenciada a ser utilizada no bojo da construção do conhecimento histórico. Vale dizer que não temos a pretensão de teoriza-las exaustivamente a partir das
discussões do campo da história da arte e semiótica, por exemplo. Nossa intenção é de contribuir com os debates acerca da produção e utilização de imagens na pesquisa histórica, partindo da particularidade de nossas experiências. Estaremos amparados principalmente pelas perspectivas indiciárias (Carlo Ginzburg, 1989, 2006) e de análise e compreensão de imagens (Martine Joly, 1996), atentos à importância do cuidado com os detalhes (indícios) presentes nas documentações geradas no âmbito das repressões religiosas