A Linguagem e a socialização como dimensões terapêuticas da contação de histórias
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v15i1.9999Abstract
A contação de histórias apresenta possibilidades heterogêneas, dentre as quais como recurso terapêutico em espaços de saúde mental em função de seu potencial para a expressão de conflitos psíquicos, assim como para a simbolização do sofrimento. O objetivo deste trabalho consiste em apresentar parte dos resultados de duas pesquisas de Iniciação Científica e discutir as dimensões terapêuticas da linguagem e da socialização envolvidas no ato de contar histórias. Ambas produziram informações a partir do uso de entrevistas narrativas e registros videográficos junto a contadores de histórias tradicionais de cidades do interior da Bahia. Os dois subprojetos apontam para as potencialidades terapêuticas da contação de histórias, considerando a presença de elementos paralinguísticos e de gestos de interação na performance do contador de histórias que colaboram para a inserção da criança em um processo dialógico, cuja língua se encontra em funcionamento, o que a leva, a partir de pressupostos da teoria psicanalítica, a ocupar um lugar enunciativo que favorece o desenvolvimento da linguagem, ao passo que contribui para o desenvolvimento de competências relacionadas à socialização por meio do contato com elementos culturais compartilhados, que favorecem o sentimento de pertencimento e identificação. Desse modo, os resultados do subprojeto apontam para outras possibilidades terapêuticas do ato de contar histórias, demonstrando que o aspecto terapêutico vai além da resolução de conflitos e da mediação de problemas afetivos, ratificando, com isto, a atualidade e as diversas potencialidades das narrativas orais.
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