As trapaças de um sofista ou da aprendizagem da insubmissão em Lavoura arcaica, de Raduan Nassar
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v6i1.2041Palavras-chave:
Literatura brasileira, Literatura e poder, Literatura e retórica, Problemática identitária.Resumo
O escritor e jornalista paulista Raduan Nassar publica Lavoura arcaica em 1975, durante a ditadura militar. Esse romance, frequentemente descrito como uma versão da parábola bíblica do filho pródigo, põe em cena o universo de uma família organizada em torno da ordem paterna, de valores austeros baseados no trabalho e na disciplina. Longe dos estereótipos de uma suposta “literatura engajada”, Lavoura arcaica trata do questionamento tanto das relações de força quanto de uma ordem imposta, que pode ser desmascarada graças ao estudo das técnicas retóricas utilizadas pelas personagens. Com efeito, se o leitor implicar-se em identificar as estratégias de manipulação através da arte oratória, ele conseguirá evitar as eventuais armadilhas que elas podem criar, seja nesse romance ou em outros textos e discursos. Tal incitação à reflexão própria e à insubmissão a uma ordem arbitrária permanece atual, trinta anos após a primeira edição de Lavoura arcaica.Downloads
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