ARTE COMO TECNOLOGIAS POÉTICAS

Autores

  • Charliston Nascimento UEFS

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i52.12381

Palavras-chave:

Arte; Tecnologias poéticas; Artefatualização; Pluriversalidade; Estética transcultural.

Resumo

É necessário superar a compreensão restritiva e unilateralmente determinada do conceito de arte, cujas dimensões ontológica e definicional correntemente se apoiam em critérios e dinâmicas instituídos pela chamada “era da arte”. Essa proposição não deve ser entendida apenas de modo prescritivo, mas sobretudo reflexivo: trata-se do reconhecimento de que tal concepção deriva de um recorte cultural específico, de matriz valorativa, empregada de forma arbitrária para descrever um fenômeno que não lhe é exclusivo, mas global, plural e passível de reconhecimento nas mais diversas culturas, inclusive nas ancestrais. No presente artigo, proponho que obras de arte são, em princípio, “tecnologias poéticas”, expressão que emprego para designar os múltiplos modos de artefatualização que instauram no habitat um ambiente de autorreferência à própria cosmovisão. Defenderei, ademais, que a arte corresponde a uma forma de artefatualização de caráter pluriversal e transcultural, e distinta, embora não oposta, à dos objetos operacionais.

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Publicado

2025-11-24