TRADIÇÃO E MODERNIDADE
VERTENTES INTERPRETATIVAS DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i52.12386Palavras-chave:
Música brasileira; História; Vertentes interpretativas; Tradição; Modernidade.Resumo
Algumas obras possuem a excepcional capacidade de redefinir a compreensão do valor sócio-histórico e crítico de determinadas manifestações culturais e artísticas. É o caso de Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar, de Paulo Cesar de Araújo, publicada em 2002 com enorme sucesso junto ao público, chegando à nona edição em 2015. Recorrendo a uma primorosa fonte de pesquisa que inclui extensa bibliografia sobre a história e crítica da música brasileira, depoimentos inéditos de músicos, além da produção discográfica e de textos da imprensa do período do AI-5 (1968 a 1978), o livro de Araújo apresenta duas teses transformadoras. A primeira, desmistifica a ideia de que a chamada “música cafona”, depreciativamente identificada com um público de classe baixa e iletrado, teria sido neutra, alienada ou adesista ao regime militar, em contraste ao notório engajamento oposicionista da MPB, associada a um público universitário e de classe média. A segunda, defende que o desconhecimento dessa relação não é acidental, mas decorre de uma lacuna historiográfica: pesquisadores e formadores de opinião, sob motivações assépticas, autoritárias e excludentes, silenciaram a presença de compositores e intérpretes com os quais parte expressiva da população brasileira se identifica. “Tradição e Modernidade: vertentes interpretativas da música popular brasileira” é o capítulo teoricamente mais emblemático da obra, ao demonstrar que o apagamento da chamada música cafona pela crítica e pela pesquisa histórica se fundamenta em um reducionismo que limita o reconhecimento da música brasileira a duas vertentes interpretativas: a da “tradição”, representada por José Ramos Tinhorão, e a da “modernidade”, por Augusto de Campos. A seguir, disponibilizamos ao público uma versão adaptada em artigo do referido capítulo do livro de Araújo, e cujo tema e alcance para o debate estético ainda são bastante atuais.
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