O ABSURDO, O SUICÍDIO E A REVOLTA
UMA LEITURA CAMUSIANA DE A BIBLIOTECA DA MEIA-NOITE
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12432Palavras-chave:
Absurdismo. Albert Camus. Matt Haig. Literatura. Filosofia.Resumo
Este texto investiga uma possível confluência entre o conceito de absurdo, formulado pelo filósofo Albert Camus, e o romance A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig. Para Camus, o absurdo caracteriza a tensão entre a busca humana por significado e a aparente indiferença do universo, confrontando o indivíduo com o vazio da existência. No romance de Haig, essa problemática se manifesta na trajetória da personagem principal, que, imersa no desespero e na sensação de falta de propósito, tenta o suicídio, entretanto, recebe a oportunidade de experimentar vidas alternativas em uma biblioteca mágica. A narrativa evidencia sua luta para encontrar sentido diante de múltiplas possibilidades da vida, refletindo a angústia do indivíduo frente à liberdade e à incerteza. A análise destaca como A Biblioteca da Meia-Noite dialoga com a filosofia de Camus ao enunciar a aceitação da vida em sua imprevisibilidade, sem recorrer a ilusões transcendentes, sugerindo que a verdadeira realização reside na vivência autêntica do presente, apesar do absurdo.
Downloads
Referências
ALBUQUERQUE, Alana Soares. “Por uma ficção científica ou uma ciência ficcional: jogos e disputas entre ficção, ciência e filosofia”. Khronos - Revista de História da Ciência, n. 9, p. 146-162, jun. 2020. Disponível em: https://revistas.usp.br/khronos/article/view/171850. Acesso em: 2 mar. 2025.
AZEVEDO, Pedro Israel Saraiva de. Do absurdo à revolta em Albert Camus. 2017. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Instituto de Cultura e Arte, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2017.
BERNARDO, Carlos Eduardo. Miséria e grandeza do humano absurdo: uma antropologia filosófica presente na obra de Albert Camus. 2020. 117 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.
BISPO, Milene Fontes de Menezes; ROSA, Roberto Sávio. “O Mito de Sísifo: a decisão de viver ou suprimir a vida”. Filosofando: Revista de Filosofia da UESB, v. 1, n. 2, p. 18-26, jul./dez. 2013. Disponível em:
https://periodicos2.uesb.br/index.php/filosofando/article/view/2134. Acesso em: 7 mar. 2025.
CAMUS, Albert. A Peste. Tradução de Valerie Rumjanek. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 2019.
CAMUS, Albert. O Estrangeiro. Tradução de Valerie Rumjanek. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 2018.
CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Trad. Ari Roitman e Paulina Watch. Rio de Janeiro: Record, 2017a.
CAMUS, Albert. O homem revoltado. Tradução de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: Record, 2017b.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Brasiliense, 2002.
HAIG, Matt. A biblioteca da meia-noite. Tradução de André Czarnobai. 1. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2021.
PIMENTA, Alessandro. “Proximidades entre Filosofia e Literatura”. Revista Humanidades e Inovação, v. 6, n. 1, p. 10-19, 2019. Disponível em:
https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/1133. Acesso em: 15 fev. 2025.
SILVA, André Rodrigues da. “Uma contextualização filosófica sobre a filosofia do absurdo de Albert Camus e a sua contribuição para a literatura”. Enciclopédia Pelotas, v. 5, p. 101-122, inverno 2016. Disponível em:
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Enciclopedia/article/view/9346. Acesso em: 20 fev. 2025.
SILVA, Evaldo Sampaio da. “Filosofia é Literatura? Literatura é Filosofia?” O Eixo e a Roda: Revista de Literatura Brasileira, Belo Horizonte, v. 28, n. 3, p. 183-197, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/o_eixo_ea_roda/article/view/28506. Acesso em: 4 mar. 2025.