O ABSURDO, O SUICÍDIO E A REVOLTA
UMA LEITURA CAMUSIANA DE A BIBLIOTECA DA MEIA-NOITE
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12432Palavras-chave:
Absurdismo. Albert Camus. Matt Haig. Literatura. Filosofia.Resumo
Este artigo analisa o romance A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig, à luz da filosofia do absurdo formulada por Albert Camus, particularmente a partir das reflexões desenvolvidas em O Mito de Sísifo. Parte-se da hipótese de que a trajetória da protagonista, Nora Seed, pode ser compreendida como uma reelaboração literária das tensões entre a busca humana por sentido e a indiferença do universo, características da condição absurda. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-interpretativo, fundamentada em revisão bibliográfica e em uma leitura hermenêutica da obra literária. A análise evidencia que o romance não apenas tematiza o desespero existencial e a questão do suicídio, mas também aponta para uma afirmação da vida que se aproxima da noção camusiana de revolta, entendida como uma resposta lúcida e não escapista ao absurdo da existência. Conclui-se que A Biblioteca da Meia-Noite dialoga de forma consistente com a filosofia de Camus ao sugerir que a vivência autêntica do presente, apesar da ausência de um sentido transcendente, constitui uma possibilidade ética de afirmação da vida.
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