Kuhn e as dimensões da incomensurabilidade
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i29.1340Resumo
Desde The structure of scientific revolutions em 1962 até artigos da década de 70, Thomas Kuhn utilizou a incomensurabilidade entre paradigmas para caracterizar a mudança de compromissos teóricos e práticos nas ciências maduras, destacando aspectos ontológicos, semânticos e epistemológicos. A tese geral afirma a inexistência de uma instância supraparadigmática que resolva conflitos entre comunidades científicas que defendam paradigmas rivais. As primeiras críticas indicavam a irracionalidade que sua defesa instauraria. Críticas de Shapere e de Sheffler incidiram sobre a formulação semântica. Em resposta, Doppelt, defendendo um quadro kuhniano da dinâmica da ciência, destacou que a incomensurabilidade epistemológica seria a mais básica, e que, além disso, ela evitaria as críticas dirigidas à versão semântica. Putnam, posteriormente, também considerou apenas a incomensurabilidade semântica para mostrar a irracionalidade do relativismo kuhniano. Contra Doppelt, mostramos que não há uma redução dos aspectos semânticos aos epistemológicos. São dimensões distintas de um mesmo conceito. Contudo, a favor de Doppelt, entendemos que a dimensão epistemológica acarreta formas de relativismos que se impõem como desafios aos críticos que apenas se detiveram em sua dimensão semântica.Downloads
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