REDES SOCIAIS E AGIR COMUNICATIVO
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i45.7599Resumo
O objetivo deste artigo é analisar como o fenômeno das chamadas redes sociais atuam de forma a produzir aquilo que Habermas denomina de patologias do mundo da vida, ou seja, como elas interferem na reprodução simbólica do mundo da vida através do uso performativo da linguagem. Nossa análise terá como foco a teoria do agir comunicativo de Habermas, de um ponto de vista filosófico, sem a pretensão de uma análise aprofundada dos impactos políticos e sociais das redes sociais, embora estes não possam ser simplesmente ignorados. Basicamente, defendemos a tese de que as redes sociais se pautam pelo uso estratégico da linguagem e tendem a ocupar espaços que antes eram o lócus da reprodução do mundo da vida através do uso comunicativo da linguagem. Este novo fenômeno é resultado de mudanças estruturais no capitalismo que transformam as pessoas não só em consumidores de informação e entretenimento, mas também em produtores dessas mercadorias que são apropriadas, na maioria das vezes, de forma gratuita pelas empresas do setor e utilizadas como forma de ampliar a manipulação, vigilância e controle sobre os usuários.
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Referências
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