NARRAR O PATHOS: O MOVIMENTO FENOMENOLÓGICO DA VIDA

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DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i46.7734

Resumo

O presente artigo tem como objetivo descrever o pathos na teoria fenomenológica de Michel Henry através da perspectiva narrativa de Paul Ricoeur. Inicialmente, far-se-á uma exposição da fenomenologia material de Henry abordando a afetividade que se manifesta no pathos. Essa teoria originária descreve uma fenomenalidade pura do ser em que os afetos são desvelados em sua imanência. A subjetividade patética ocorre a partir desse desvelamento na interioridade e obscuridade ontológica. Assim, os afetos, os sentimentos e as emoções são dados na invisibilidade da vida. Posteriormente, pretende-se apresentar a linguagem como possibilidade de narrar o pathos subjetivo. Nesse sentido, utilizar-se-á a teoria narrativa de Ricoeur para expor esse pressuposto. Por fim, apesar de Henry não considerar a linguagem como necessária para a manifestação afetiva intersubjetiva, defende-se a ideia de que é possível narrar o pathos quando o sujeito exterioriza seus sentimentos pela linguagem e ao contar suas histórias de vida.

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Biografia do Autor

Janessa Pagnussat, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Doutoranda em Filosofia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: janessapagnussat@hotmail.com.

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Publicado

2022-12-08

Edição

Seção

Dossiê