SCARABAEIDAE (COLEOPTERA) NA MATA ATLÂNTICA: SISTEMAS AGROFLORESTAIS SÃO PERMEÁVEIS A BESOUROS DE FLORESTA?

Authors

  • Jacirleide Lima Maciel

DOI:

https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3067

Abstract

A mata atlântica é uma das formações mais intensamente destruídas do Brasil, restando menos de 5% de sua área original dispersos em fragmentos em níveis variados de isolamento (TABARELLI et al. 2005). As florestas tropicais são conhecidas por sua alta biodiversidade, contudo, perturbações antropogênicas modificam a paisagem e a estrutura da vegetação florestal, afetando a biodiversidade. As condições ambientais em uma floresta são amplamente diferentes das de uma área aberta. Portanto, a destruição dos ambientes naturais para a criação de áreas de pastagem ou de monoculturas provoca alterações nos fatores abióticos, podendo ocasionar uma mudança na composição e na estrutura das comunidades, já que as espécies adaptadas às condições florestais não se adaptam às novas condições ambientais (MEDRI & LOPES 2001). Isso é registrado para muitos grupos, inclusive os Scarabaeinae (NICHOLS et al. 2007). A perda contínua de florestas tropicais intactas aumenta a importância potencial de Sistemas Agroflorestais (SAF) para a conservação dos artrópodes tropicais. Sistemas Agroflorestais sombreados ainda podem suportar alto nível de biodiversidade (BOS et al. 2007).
Os Scarabaeidae, conhecidos popularmente como rola-bostas, são detritívoros que usam majoritariamente excrementos, e retiram porções de recurso, levando-as até o local de alimentação ou reprodução (HALFFTER & MATTHEWS 1966). De um modo geral se alimentam de excrementos de mamíferos, comunidade esta que responde igualmente à formação vegetal. Os Scarabaeinae coprófagos apresentam adaptações à composição, textura e umidade típicas de cada espécie de vertebrado (MARTIN & LOBO 1993; MORELLI & GONZALEZ-VAINER 1997). Os besouros de áreas abertas tenderão, portanto, a utilizar recursos que sáo abundantes nesse tipo de ambiente, ou seja, fezes de grandes herbívoros, enquanto que se espera que os besouros de áreas florestais estejam mais adaptados a utilizar as fezes de vertebrados com menor teor de fibras vegetais, e potencialmente provenientes de dietas onívoras (HALFFTER & MATTHEWS 1966). Desta forma, podemos identificar os organismos que vivem predominantemente em cada tipo de ambiente através dos recursos que utilizam.
Com isso buscaremos ver se em áreas de SAF adjacentes a fragmentos de mata atlântica existe alguma troca de espécies entre as comunidades típicas de cada ambiente e o grau de penetração de espécies de Mata Atlântica em direção ao ambiente de SAF e vice versa. O trabalho tem, portanto, aplicabilidade direta em estudos de conservação e planejamento de corredores ecológicos através de sistemas agroflorestais.

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Published

2018-03-23