Ritmo biológico das atividades forrageiras e de cuidado com a prole em Polistes canadensis (Linnaeus, 1758)

Authors

  • Philippe Meireles Queiroz

DOI:

https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3099

Abstract

O ritmo biológico pode ser definido como qualquer evento biológico
que se repete periodicamente no tempo e dessa forma altera seu estado
de atividade e repouso ao longo do dia (TOMOTANI & ODA, 2012). A
manutenção desses ritmos mesmo sob condições de ausência de pistas
ambientais cíclicas, indica a existência de osciladores circadianos
associados a um sistema de temporização endógeno, responsável pelo
comportamento rítmico do organismo (ENRIGHT, 1970; MOORE-EDE &
COLS., 1982).
Os trabalhos realizados demonstraram que animais invertebrados
como os insetos (BECK, 1980; SAUNDERS, 1982) apresentam ritmo
biológico e que podem ser influenciados pelo ciclo claro/escuro diário ou
fotoperíodo anual. Foram realizados alguns estudos, comprovando a
ritmicidade diurna nas atividades de vôos em Nannotrigona testaceicornis
na Chapada Diamantina (SILVA & GIMENES, 2015) e em Melipona
scutellaris, Frieseomelitta doederleini (GOUW & GIMENES, 2013), além de
outras. Em comunidades temperadas e tropicais, vespas sociais
(Hymenoptera: Vespidae) são muitas vezes surpreendentemente
abundantes. Elas recolhem água, fibras vegetais, carboidratos, e caçam
presas de artrópodes (EDWARDS, 1980). As vespas sociais são forrageiras
generalistas, mas os indivíduos são capazes de aprender e podem
especializar-se pela caça de presas ou recolher outros recursos em locais
específicos (RICHTER & JEANNE, 1991).
Na região neotropical existe uma rica fauna em espécies de insetos
sociais, dentre elas encontram-se as Vespidae (Polistinae) (RICHARDS,
1971; CARPENTER, 2004). A subfamília Polistinae apresenta atualmente
cerca de 25 gêneros e mais de 900 espécies (CARPENTER, 2004), sendo
divididos em três tribos comumente encontradas na região neotropical,
que constituem Polistini, Mischocyttarini e Epiponini.
Os representantes da família Vespidae fornecem um bom modelo
para estudos do ritmo de atividade no ninho, porque muitas das espécies
como as dos gêneros: Agelaia (SAUSSURE, 1854 in FERREIRA, 2008),
Apoica (VECHT, 1972), Polistes (FERREIRA, 2008), apresentam ninho
aberto facilitando assim a visualização das diversas atividades exercidas
no ninho. As vespas desta família apresentam comportamento social, com
ampla variação de sistemas de organização colonial (WEST-EBERHARD,
1978).
O presente plano de trabalho se justifica pela sua nova visão a
respeito do comportamento de alimentação e cria em vespas Polistes
canadensis, acrescentando a dimensão temporal na análise dos
comportamentos destes insetos, sendo assim o projeto tratará estes
comportamentos de uma forma rítmica, identificando os fatores abióticos
que mais influenciam as atividades.

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Published

2018-03-23