A QUESTÃO DOS UNIVESAIS NA IDADE MEDÍA
DOI:
https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3148Abstract
O estatuto ontológico dos universais aponta para alguns questões que assinalam a natureza e a fundamentação dos universais, isto é, dos gêneros e das espécies. Em sua Isagoge obra de introdução as Categorias de Aristóteles, Pórfiro além de apresentar sua teoria quanto os predicáveis, sugeri quanto a natureza dos indivíduos que estes são classificáveis pela predicação do gênero, da espécie, da diferença, do próprio e do acidente. Assim, a Isagoge também se encarrega de menciona o problema que é pressuposto pelos universais e que pode ser apresentada dessa forma: (i) são realidades subsistentes em si mesmas, ou se consistem apenas em simples conceitos mentais; (ii) afirmando que sejam realidades subsistentes, devemos pois questionar se são corpóreas (se possuem matéria) ou incorpóreas (não possuem matéria); (iii) e no último caso, se são separados ou se existem nas coisas sensíveis e dependem delas. É então, no século XII, que essas questões tomam a natureza de querela e passam a ser conhecida como Querela dos Universais.
Deste modo, é a partir das considerações de Pórfiro que engajaremos a teoria de abstração de Tomás de Aquino com intuito de atentar para as questões propostas na Isagoge. A abstração em seu sentido mais geral, consiste em um ato intelectivo que desconsiderar os aspectos matérias dos indivíduos abstraindo seus aspectos formais. No entanto, a teoria tomista tanta para além das questões propostas por Pórfiro, isto é, ao conceber que os universais são conteúdos mentais e que tem sua fundamentação nos singulares, a teoria tomista consiste em justificar como é possível entre as naturezas distintas, isto é, como os universais de natureza imaterial ter seu fundamento na singularidade? Esta questão sugere questionar como é possível a relação entre o intelecto totalmente imaterial e o singular com seu princípio de individuação, tendo como referência a máxima platônica contida no Timeu de que: “o semelhante é conhecido pelo semelhante”. Sendo assim, a teria abstrativa atenta para a relação entre naturezas distintas.
Percebemos, então, que a questão dos universais tem em seu fundamento um paradoxo, o qual a teoria abstrativa tomista procura solucionar. Assim, ao que parece, a abstração seria uma operação do intelecto que torna possível que a partir dos singulares seja abstraído e formulado conteúdos Universais, tais como os gêneros e as espécies. Desta maneira, todo esse itinerário sobre o suposto paradoxo que a questão dos universais sugere, assim como a apresentação dos objetivos de nossa investigação apontam para a importância de nossa pesquisa no âmbito filosófico-acadêmico, inserindo-nos nas discussões epistemológicas da contemporaneidade.