ESPECIFIDADE ALIMENTAR EM SCARABAEINAE (SCARABAEIDAE, COLEOPTERA) NECRÓFAGOS EM FRAGMENTOS FLORESTAIS.
DOI :
https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3093Résumé
Os Scarabaeidae apresentam cerca de 6.000 espécies distribuídas principalmente nas regiões tropicais do planeta e destacam-se por ser um grupo muito diverso (Vaz-de Mello, 2000). A maioria dos espécimes é coprófaga, alimentando-se principalmente de fezes de grandes mamíferos, mas sua dieta pode variar, dependendo do ambiente em que vivem e dos recursos disponíveis para a comunidade (Halffter & Matthews, 1966).
A partir da gradual alteração dos biomas em períodos geológicos mais secos, uma grande quantidade de besouros se adaptou à necrofagia ou saprofagia (Martin-Piera & Lobo 1993). Essa preferência alimentar é bastante comum em ambientes como as florestas (Halffter & Halffter 2009), o que lhes confere um papel ecológico importante, pois participam da ciclagem de nutrientes dentro do ecossistema (Halffter & Edmonds 1982). Como os necrófagos são importantes na aceleração da decomposição de carcaças, são bastante úteis na entomologia forense (Estrada & Coates-Estrada, 1991).
A maioria das espécies é coprófaga, exibindo boa diferenciação de preferência por iscas de origens distintas, mas o mesmo não é bem determinado para as espécies necrófagas. A maioria do conhecimento acerca da escarabeidofauna necrófaga deriva de coletas que utilizaram o mesmo tipo de isca (baço bovino apodrecido), por se tratar de isca barata, de odor pungente e com resposta rápida na atração de besouros (Lopes & Louzada, 2005; Medina & Campos, 2013), mas sua textura é bastante diferente da oferecida por porções musculares de carcaças de vertebrados. Buscamos aqui determinar se há preferência de espécies de Scarabaeinae por carcaças de diferentes texturas e origens, e por extensão, se há diferenças nos nichos de espécies de necrófagos. O presente trabalho busca ainda ampliar o conhecimento da comunidade necrófaga em Mata Atlântica, muito pouco estudada em comparação com os coprófagos.