A SOLIDÃO DO UM, NA OBRA “O DIA EM QUE ME TORNEI MULHER”

Auteurs

  • Danielle Vidal Pessoa

DOI :

https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3189

Résumé

A mulher, no contexto da teoria psicanalítica freudiana, é definida pela via negativa em
referência ao falo (-φ). Em seus escritos, Freud nos diz que a sexualidade feminina constitui
um “continente obscuro” para a psicologia, de tal modo que a mesma não deu por
encerrada a questão sobre a sexualidade feminina. A feminilidade é apontada por Freud
([1932-1933] 2008, p. 127) como podendo ser assumida pela via da demanda do falo
simbólico ao outro, através da maternidade, ou na relação amorosa com um parceiro em geral
seguindo o tipo de relação que tinha com o pai, mas que pode em alguns casos alternar com a
hostilidade e ambivalência que caracterizam o vínculo com a mãe no período do complexo de
Édipo. Já Lacan (1972-73/1985), em sua extensão da teoria freudiana, ao instaurar o aforismo
“Ⱥ mulher não existe”, referindo-se ao fato de que não encontramos uma inscrição no
inconsciente para o que é Ⱥ mulher, assim como encontramos para o que é o homem a partir
do falo, Lacan nos dirá que na ordem do saber analítico, o feminino é introduzido como
comportando algo da ordem de um desconhecido, do impossível de ser dito, tratando-se,
portanto, de um gozo impossível de ser significantizado. Frente a tais considerações, o
presente trabalho incita a elaboração de uma discussão acerca das representações da
feminilidade nos discursos contemporâneos, identificando possibilidades através das quais os
sujeitos femininos se articulam enquanto a construção subjetiva. Para tal, trabalharemos com
revisão literária a partir da obra de Freud, Lacan e teóricos contemporâneos, articulando tal
conhecimento à produção cinematográfica O dia em que me tornei Mulher (Direção: Marzieh
Meshkini Makhmalbaf, Irã, 2000. 78’. Son, Color, Formato:16mm.).

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Publiée

2018-03-23

Numéro

Rubrique

Ciências Sociais, Humanas e Filosofia