ENTENDENDO OS CONFLITOS NO CONTEXTO DO TRABALHO COLETIVO SOB OS PRINCÍPIOS DA ECONOMIA POPULAR E SOLIDÁRIA

Auteurs

  • Liziany Cerqueira Santos

DOI :

https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3236

Résumé

A Economia Solidária ganhou espaço nas últimas décadas em decorrência de um declínio do capitalismo provocado pelas crises que este sistema vivencia e o consequente crescimento do desemprego, do trabalho precário e informal, além dos constantes ataques aos direitos sociais e trabalhistas.
O mito da meritocracia transforma indivíduos hipossuficientes em referentes ausentes. Ou seja, os donos do capital, que exploram trabalhadores, vendem a ideia de que estes podem tornar-se patrões, desde que deem o “melhor de si”. Os referenciais (trabalhadores) se tornam menos ameaçadores à medida que compram essa mentira e trabalham de forma individualista, competindo entre si. Ao priorizarem apenas o “sucesso” pessoal, vão se tornando invisíveis (ausentes).
Para Paul Singer (2013), a cooperação em detrimento da competição entre os participantes de qualquer atividade econômica é pressuposto essencial para que uma sociedade possa deixar de ser considerada desigual.
Não nos faltam exemplos ao longo da história de agrupamentos de indivíduos que lutaram em prol de uma causa em comum e se reconheceram mais fortes enquanto coletivo, ameaçando o status quo. Sejam os núcleos de resistência contra a Alemanha nazista, os negros que não aceitavam ser subjugados pela escravidão ou as feministas subversivas.
Assim, configura-se uma etapa importante para a consolidação do trabalho cooperativo a pacificação dos conflitos entre os membros de um grupo informal composto por mulheres socialmente vulneráveis – a Cooperativa Mãos Solidárias (Coopermasol), que atua na produção e comercialização de lanches em uma das cantinas da Universidade e recebe acompanhamento, desde 2008, da Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da Universidade Estadual de Feira de Santana (IEPS-UEFS).
Importante destacar que no curso desta pesquisa foram incorporados elementos novos a serem estudados, como o acompanhamento de outro grupo também em processo de incubação – ao qual também foi cedido um espaço pedagógico dentro da Universidade. Foi possível acompanhar o surgimento de conflitos entre os dois grupos, criando uma aparente rivalidade. No entanto, para além da rivalidade intergrupos, observou-se que as trabalhadoras do segundo grupo não se adaptaram ao trabalho cooperado e passaram a adotar condutas que fugiam abertamente dos propósitos da Economia Popular e Solidária, resultando no término precoce do processo de incubação.
Dessa forma, não foi possível desenvolver a pesquisa no sentido do tratamento de eventuais conflitos existentes entre os dois grupos mencionados.
Por fim, acredita-se que uma decisão judicial imposta pelo Estado nem sempre é capaz de satisfazer e conciliar as partes a fim de que tenham condições de dar continuidade a realização de um trabalho coletivo – restaurando a horizontalidade das relações. Este é um processo que se confirma quando há disposição de ambos os lados
envolvidos no conflito, o qual pode ser um obstáculo intransponível e levar ao rompimento da relação ou surgir como um elemento capaz de levar as pessoas envolvidas a um estágio mais elevado de empatia e compreensão para com a outra.

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Publiée

2018-03-23

Numéro

Rubrique

Ciências Sociais, Humanas e Filosofia