ATRAÇÃO E RETENÇÃO DE MULHERES NA ÁREA DE COMPUTAÇÃO ATRAVÉS DE APRENDIZAGEM LÚDICA
DOI :
https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3342Résumé
Os estudantes e trabalhadores da área de computação são em sua maioria do sexo masculino. A quantidade de mulheres que estudam computação é pequena e o número de mulheres que atuam na área é ainda menor (TEAGUE, 2002). Sobram vagas de emprego na área e o mercado procura mais pessoas para preencher estas vagas (OBSERVATÓRIO SOFTEX, 2012). O aumento de mulheres na área pode ajudar a preencher essas vagas, além de trazer um novo olhar sobre o ambiente de trabalho. Acredita-se que, com uma maior diversidade de gênero, é possível aproveitar melhor as diferentes visões que esta diversidade traz. Alguns autores entendem que, quanto maior a participação feminina na área de computação, maior será a igualdade de gênero, permitindo à mulher conquistar mais oportunidades na área (ASHCRAFT; EGER; FRIEND, 2012). Esta maior participação das mulheres na área pode proporcionar mais inovação (SCHWARTZ et al., 2006). Além disso, várias empresas acreditam que ter mulheres neste cenário pode trazer benefícios para seus clientes, além de servir melhor a seus funcionários (ASH et al., 2009).
Acredita-se que a proporção reduzida de mulheres na área de tecnologia de informação ocorre por decisões tomadas ainda na infância e adolescência. Segundo Denner, é durante o fim da infância e o início da adolescência que o indivíduo decide sobre seus gostos e preferências, como é o caso da afinidade por ciências ou matemática. Um estudo aponta que a área de tecnologia da informação é atraente para os meninos (DENNER, 2011). Teague, por outro lado, afirma que as meninas não têm muito interesse em seguir carreira em áreas relacionadas a computação. Isto ocorre, geralmente, pelas associações equivocadas feitas com relação à área e pelos estereótipos comumente criados. Ao iniciar o ensino médio, as meninas costumam ver a computação como algo tedioso e relativo a um estereótipo de “nerds”. Por isso, costumam perder o interesse pela área (OUTLAY; AMBROSE; CHENOWETH, 2012). Algumas pesquisas sugerem que estes estereótipos devem ser desconstruídos o quanto antes, de preferência durante o ensino fundamental. Outlay descobriu que meninas que foram apresentadas à tecnologia e às suas áreas tendem a compreender melhor o que o profissional da computação faz e a ter atitudes mais positivas sobre o assunto (OUTLAY; AMBROSE; CHENOWETH, 2012).
A partir dos trabalhos acima, buscou-se, neste trabalho da iniciação científica, estimular precocemente o interesse de meninas pela computação. Foi realizada uma oficina com meninas do 9º ano do ensino fundamental em uma escola pública da cidade e duas oficinas com meninas e meninos do 5º e 6º ano do ensino fundamental em uma escola privada da cidade. Utilizou-se o ambiente lúdico de programação Scratch, e uma abordagem com desafios baseados em animações e jogos. Os dados foram analisado através de uma metodologia quali-quantitativa. Além das oficinas, também foram feitas
atividades preliminares na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) com o objetivo de compreender melhor as dificuldades do público feminino que cursa Engenharia de Computação nesta instituição.