O PROTAGONISMO DAS MULHERES NAS INICIATIVAS DE ECONOMIA POPULAR E SOLIDÁRIA COMO ALTERNATIVA DE GERAÇÃO DE RENDA: SERÁ ESSA A RESPOSTA PARA A IGUALDADE DE GÊNERO?
DOI:
https://doi.org/10.13102/semic.v0i20.3234Resumo
Estre trabalho é o resultado do relatório final de pesquisa apresentado ao CNPq, com o objetivo de responder a seguinte pergunta: O que torna as iniciativas de economia popular e solidária favorável para que a maioria dos membros seja composta por mulheres? Para tanto utilizou-se de referência que possibilitasse uma reflexão sobre economia popular e solidária, mulher e mercado de trabalho numa abordagem de pesquisa participativa ao qual foi realizado estudo de caso como também a aplicação de um questionário afim de analisar a participação das mulheres trabalhadoras nas iniciativas de economia popular e solidária como alternativa de geração de renda e autovalorização diante do mercado de trabalho.
A teoria tenta explicar as desigualdades existentes no mercado de trabalho e a economia popular e solidária como “outra economia” se propõe a diferenciar-se da economia convencional inerente ao sistema capitalista por este apresentar aspectos que valoriza o capital em detrimento do trabalho, os quais são denominados de fatores de produção, o que corrobora com a teoria neoclássica que afirma por meio dos modelos econômicos que para uma empresa obter um ponto de maximização dos lucros é necessário que haja substituição do trabalho por capital numa relação .
Dessa forma a teoria neoclássica estabelece a função de produção para valorizar o capital com a desvalorização do trabalho e como consequência gera o desemprego.
É nesse contexto que emerge a economia popular como uma alternativa ao desemprego, onde os trabalhadores excluídos do processo de acumulação de capital decidem produzir ou comercializar bens para geração de trabalho e renda sem necessariamente realizar uma organização de grupo.
Tentando obter o mesmo objetivo de geração de emprego e renda a economia popular solidária propõe uma organização desses sujeitos de maneira a tornar o movimento da economia popular em uma economia política dos setores populares a fim de organizar os grupos isolados numa perspectiva de redes. Essa aproximação pode ser obtida por meio das incubadoras que se propõe a desenvolver um trabalho politico pedagógico que possibilita as iniciativas a se organizarem enquanto grupo produtivo autogestionário.
A economia popular e solidária como economia política dos setores populares sugere uma aproximação das incubadoras com os grupos para que juntos possam criar alternativas de geração de renda de modo que o trabalho seja o fator protagonista. Nesse sentido, existe um ponto de equilíbrio entre o capital e o trabalho? Existe mercado para a economia popular e solidária da forma como a mesma se propõe ser outra economia? O que caracteriza a economia popular e solidária como outra economia?
Outra indagação pertinente a ser feita em relação à economia popular e solidária enquanto economia política dos setores populares é sobre a abordagem que é feita em relação à participação das mulheres uma vez que as mesmas são em números a maioria dos membros
participantes das iniciativas, pelos menos as iniciativas que a incubadora acompanha. Um questionamento a ser feito a respeito desses números é por que essas mulheres escolhem por essa forma de trabalho autogestionário e não pelo tradicional do mundo do trabalho. Pensando nessa pergunta fez-se necessário o estudo de caso nos grupos informais Sabores do Quilombo e Companheiras de Mãos Solidárias (COOPERMASOL) que ocupam o espaço da cantina dos módulos I e VII - respectivamente da Universidade Estadual de Feira de Santana.
Neste contexto o objetivo desse trabalho é discutir a opção das mulheres que trabalham nos projetos cantina solidárias I e III pela forma de trabalho autogestionário e não pela forma do tradicional do mundo do trabalho.
Com efeito, ambos os grupos foram selecionados pela incubadora para fazer parte do Projeto Cantina Solidária I e III 1 os dois grupos apresentam características comum no que se refere à composição orgânica, o primeiro grupo COOPERMASOL possui a composição majoritário por mulheres enquanto que o grupo Sabores do Quilombo possui um homem como integrante do grupo, também majoritariamente mulheres.
Nesta esteira, neste artigo faremos uma caracterização sobre a economia popular e solidária e também sobre a economia convencional, a partir dos elementos que se contrapõe com ênfase nos aspectos que circundam o trabalho, bem como o trabalho das mulheres e suas escolhas por trabalhar em eu uma economia em detrimento da outra.