ABORDAGENS SOCIOLÓGICAS E A QUESTÃO TERRITORIAL
Resumo
O texto analisa a incorporação do território ao pensamento sociológico e discute se o chamado “giro territorial” representa apenas a ampliação de um objeto de estudo ou sinaliza uma transformação epistemológica mais profunda. A trajetória reconstruída parte dos clássicos da sociologia, que abordaram o espaço de forma indireta, passa pela consolidação das sociologias urbana e rural e alcança, a partir dos anos 1970, abordagens que tratam o espaço como produto social e dimensão ativa das relações de poder. Lefebvre, Harvey e Bagnasco são referências centrais desse deslocamento, posteriormente ampliado por estudos sobre desenvolvimento territorial, conflitos socioambientais, ruralidades, efeitos de lugar, estigmatização territorial e implementação de políticas públicas. O argumento central é que o território deixou de ser concebido como simples cenário das dinâmicas sociais para ser entendido como estrutura constitutiva das práticas, desigualdades, identidades e disputas. No período contemporâneo, essa perspectiva articula escalas locais e extralocais, relações entre rural e urbano, natureza, economia, cultura e poder. O texto conclui propondo a hipótese de uma transição de paradigmas: embora existam inovações conceituais importantes, a construção de uma verdadeira teoria territorial dependeria de maior integração interdisciplinar e da reconfiguração das fronteiras tradicionais entre as ciências sociais no interior das ciências humanas contemporâneas.
