Análise paleográfica e sócio-histórica de um manuscrito seiscentista brasileiro: a história dos Terços de Homens Pretos e Pardos

Autores

  • Izaias Araújo das Neves Paschoal Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Zenaide de Oliveira Novais Carneiro
  • Alícia Duhá Lose

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v24i2.10168

Palavras-chave:

Paleografia, Terço de Homens Pretos e Pardos, Sociolinguística Histórica

Resumo

A partir de dois documentos manuscritos em 1689 pelo homem negro forro Jorge Luiz Soares, integrante de uma das grandes corporações coloniais, os Terços de Homens Pretos e Pardos, surgidos ao longo da Insurreição Pernambucana de 1654, este artigo apresenta uma análise paleográfica da mão do scriptor, com o propósito de atestar a sua autoria nos documentos estudados e conferir veracidade à escrita e a futuros estudos, linguísticos ou não, possibilitados pelo corpus analisado. Assim, com base em Acioli (1994); Saez e Castillo (1996); Petrucci (2003) e Jesus (2021), foi definida a noção de Paleografia e, então, construído o material de análise: um quadro escriptográfico com base na caligrafia do scriptor. O resultado atesta que os documentos são autógrafos e abrem margem para questionar como um homem negro dos seiscentos dominou as letras. É importante destacar que os dois manuscritos analisados, certidões, são parte de um corpus maior, o Acervo dos Terços de Homens Pretos e Pardos (ATHPP), organizado e editado semidiplomaticamente.

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Publicado

2024-04-04

Como Citar

Araújo das Neves Paschoal, I., de Oliveira Novais Carneiro, Z., & Duhá Lose, A. (2024). Análise paleográfica e sócio-histórica de um manuscrito seiscentista brasileiro: a história dos Terços de Homens Pretos e Pardos. A Cor Das Letras, 24(2). https://doi.org/10.13102/cl.v24i2.10168