Rastros, ladeiras e becos de memórias coloniais: interpelações literárias a uma cidade tombada
Palavras-chave:
Cidade, . Literatura, Memória, Colonialidade, Patrimônio.Resumo
Na travessia de veredas epistêmicas distintas das hegemônicas, este artigo ensaia uma investigação poético-crítica da cidade de São Cristóvão (SE), tomando a literatura como método e linguagem de pesquisa. Inspirado na tessitura fragmentária de Conceição Evaristo e nas concepções benjaminianas de experiência e narração, o texto propõe uma escrita fabulatória que recusa os enquadramentos consagrados à história oficial e à patrimonialização urbana. Para tanto, recorre à figura ficcional de um menino, sua bicicleta vermelha e sua narração urbana. Dela emergem imagens, rastros e afetos que desestabilizam os discursos celebratórios sobre o patrimônio histórico, revelando a presença insistente da colonialidade nos becos e ladeiras da cidade. Ao entrelaçar literatura e espaço urbano, a proposta desloca o olhar acadêmico para uma epistemologia dos becos urbanos – geografia marginal e insurgente, onde a colonialidade e a resistência a ela se narra por fragmentos, silêncios e vozes interditadas. A literatura aqui não ilustra: intervém, interpela e faz ver, permitindo que os ruídos do passado ressoem no agora como exigência ética, política e estética de memória.
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