Travessias: os itans afro-brasileiros e as construções simbólicas de gênero e sexualidade
Mots-clés :
Candomblé. Itans. Identidade de gênero. Sexualidade.Résumé
O Candomblé é uma religião afro-brasileira que surgiu em meados do século XVIII, demarcada pela resistência às condições diaspóricas de vida de diversos grupos étnicos do continente africano. Esse sistema de culto preservou e adaptou todo um sistema simbólico de povos africanos em meio ao processo de colonização, que lhes impôs, junto aos indígenas, a exploração e violação de seus corpos por meio do trabalho escravo. Depois de inseridos em uma dinâmica distinta às suas, foi necessário reelaborar suas crenças e valores como forma de sobrevivência no novo mundo. Em meio a isso, este artigo se propõe a compreender como alguns itans (histórias de matriz afro-brasileira com variados elementos de seus imaginários) constituem, em suas narrativas, as noções de gênero e sexualidade na religião do Candomblé. Para concretizar tais fins, foi realizada uma pesquisa de caráter qualitativo, cujo enfoque bibliográfico mergulhou nos estudos e análises de Birman (1991), Prandi (2001), Teixeira (2000), Segato (2018), Landes (2002), Augras (2008), Nascimento (2018), Dias (2020), Oyěwùmí (2021), Vieira (2023), entre outros. Com base nesses estudos, observou-se que os itans analisados não afirmam categoricamente que os orixás possuem uma identidade de gênero ou orientação sexual específica, mas oferecem elementos simbólicos que permitem refletir sobre os sentidos dessas categorias no contexto do Candomblé, apontando outras possibilidades de compreensão sobre gênero e sexualidade, para além dos moldes binários e heteronormativos.
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