Uma revisão histórica sobre Sylvia Serafim, assassina de Roberto Rodrigues
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12315Palavras-chave:
Sylvia Serafim, Nelson Rodrigues, Crítica, História do Jornalismo, SensacionalismoResumo
Um dia depois do Natal, em 26 de dezembro de 1929, a jornalista e escritora Sylvia Serafim entrou na redação do jornal Crítica com a intenção de questionar seu dono, Mário Rodrigues, sobre a publicação de uma matéria de capa no mesmo dia que trazia seu suposto adultério. Mário não estava, então Serafim acabou por entrar em um gabinete com Roberto, irmão de Nelson Rodrigues. Não se sabe o que conversaram lá dentro, mas Serafim atirou em Roberto, que terminou por falecer, em um homicídio que chocou e dividiu a sociedade carioca. A história do assassinato de Roberto Rodrigues se transformou em livro, peça, filme, programa de televisão, em suma, foi explorada por diversas mídias, em diversos formatos. Conforme essas narrativas migram, vão adquirindo novas nuances, algumas contraditórias entre si, através de um processo de divisão que se inicia ainda durante o julgamento de Sylvia. Com isso, Serafim acabou tendo sua produção jornalística apagada, esquecida na História, a despeito de sua relevância na época. O principal objetivo deste trabalho é analisar o processo de desumanização e apagamento que Sylvia Serafim sofreu, bem como construir um esboço de biografia inédita sobre a autora. Por meio de pesquisa biográfica e em diálogo com uma base teórica sobre processos de desumanização, será possível fornecer visões menos maniqueístas e mais completas, explorando facetas desconhecidas de uma intelectual lembrada apenas em função de seu homicídio.
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