Uma revisão histórica sobre Sylvia Serafim, assassina de Roberto Rodrigues

Autores

  • Sergio Schargel UERJ/Pós-doutorado em Letras

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12315

Palavras-chave:

Sylvia Serafim, Nelson Rodrigues, Crítica, História do Jornalismo, Sensacionalismo

Resumo

Um dia depois do Natal, em 26 de dezembro de 1929, a jornalista e escritora Sylvia Serafim entrou na redação do jornal Crítica com a intenção de questionar seu dono, Mário Rodrigues, sobre a publicação de uma matéria de capa no mesmo dia que trazia seu suposto adultério. Mário não estava, então Serafim acabou por entrar em um gabinete com Roberto, irmão de Nelson Rodrigues. Não se sabe o que conversaram lá dentro, mas Serafim atirou em Roberto, que terminou por falecer, em um homicídio que chocou e dividiu a sociedade carioca. A história do assassinato de Roberto Rodrigues se transformou em livro, peça, filme, programa de televisão, em suma, foi explorada por diversas mídias, em diversos formatos. Conforme essas narrativas migram, vão adquirindo novas nuances, algumas contraditórias entre si, através de um processo de divisão que se inicia ainda durante o julgamento de Sylvia. Com isso, Serafim acabou tendo sua produção jornalística apagada, esquecida na História, a despeito de sua relevância na época. O principal objetivo deste trabalho é analisar o processo de desumanização e apagamento que Sylvia Serafim sofreu, bem como construir um esboço de biografia inédita sobre a autora. Por meio de pesquisa biográfica e em diálogo com uma base teórica sobre processos de desumanização, será possível fornecer visões menos maniqueístas e mais completas, explorando facetas desconhecidas de uma intelectual lembrada apenas em função de seu homicídio.

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Biografia do Autor

Sergio Schargel, UERJ/Pós-doutorado em Letras

Pesquisador de Pós-Doutorado PAPD Letras UERJ. Doutor em Comunicação pela UERJ, Doutor em Ciência Política pela UFF e Doutor em Letras pela USP. Doutorando em História pela UFRJ. Mestre em Letras pela PUC-Rio, mestre em Ciência Política pela Unirio. Mestrando em Comunicação pela UFF. Especialista em Literatura Brasileira pela UERJ. Bacharel em Comunicação Social, Jornalismo (com semestre na Hanze University de Groningen, Países Baixos) e Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, ambas pela PUC-Rio, bacharel em Letras pela Estácio de Sá. Licenciando em Ciências Sociais e em Letras-Inglês pela Estácio de Sá. Foi Professor Substituto da Universidade Federal de São João del Rei em Letras-Inglês em 2023 e 2024. Venceu o Prêmio Abralic de melhor dissertação do biênio 2020-2021, que se transformou no livro O fascismo infinito, no real e na ficção: como a literatura apresentou o fascismo nos últimos cem anos (Bestiário, 2023). Também é autor de Bolsonarismo, Integralismo e Fascismo: diálogos entre Jair Bolsonaro, Plínio Salgado e Mussolini (Folhas de Relva, 2024). Sua pesquisa e produção artística são focadas na relação entre literatura e política, tangenciando temas como teoria política, literatura política, fascismo, extrema direita, judaísmo, antissemitismo e a obra de Sylvia Serafim. Pesquisador associado dos grupos de pesquisa Centro de Análise de Instituições, Políticas e Reflexões da América, da África e da Ásia – CAIPORA e Centro de Referência para o Ensino do Combate à Desinformação (CODES). Ex-Editor das revistas Ziz, Opiniães, Contracampo e Ensaios, organizou dossiês na Revista Escrita e na Revista Hominum. Publicou em veículos como Cadernos Pagu, Nexo, Contexto Internacional, Palimpsesto, Desacatos, Sociedade e Estado, Revista Mexicana de Ciencias Políticas y Sociales, Revista Piauí, História, Revista Brasileira de História, Religião e Sociedade, Projeto História, Teoria e Debate, Brasiliana, Revista Brasileira de Ciência Política e tantos outros, além de diversas traduções de artigos acadêmicos e jornalísticos, principalmente para a Folha de S.Paulo. Concedeu extensa entrevista para a Rádio Novelo e Instituto Humanitas Unisinos. Teve trabalhos artísticos publicados em veículos como Darandina, Valittera, Opiniães e foi premiado em seleções artísticas como o segundo lugar do Festival Revelando Novos Autores e o primeiro em Cronistas Contemporâneos 2023. Lecionou disciplinas em instituições como USP, Unirio, PUC-Rio, UFF, UFSJ, LerO, UERJ, Uninter, entre outras. Foi aprovado no Concurso Público para Professor Substituto em Literaturas de Língua Inglesa pela Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ-2022), Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG-2025), em Comunicação pela UFMG (2024) e em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-2025). Também foi aprovado para uma bolsa Capes sanduíche (PDSE) e em primeiro na seleção de bolsista PIPD Capes de Pós-Doutorado na UNICENTRO, mas optou por desistir de ambas as bolsas. Atuou como facilitador da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) em 2022 e como Analista de Comunicação do Instituto Igarapé entre 2018 e 2023. Ex-bolsista CAPES e CNPq. Contato: sergioschargel_maia@hotmail.com / sergioschargel@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5392-693X.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

Schargel, S. (2026). Uma revisão histórica sobre Sylvia Serafim, assassina de Roberto Rodrigues. A Cor Das Letras, 26(2). https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12315