No meio do caminho tinha um muro: O Muro de Berlim e suas implicações na concepção do outro – uma análise linguístico cognitiva baseada em frames
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v26iEspecial.12322Palavras-chave:
Muro de Berlim, Frames, Guerra Fria, Linguística Cognitiva, Ossis e WessisResumo
O Muro de Berlim (1961-1989), símbolo da Guerra Fria e da divisão ideológica, conferiu à Alemanha reunificada não apenas a união física, mas também o surgimento dos "muros mentais", que persistem nas divergências culturais e econômicas entre Ossis (orientais) e Wessis (ocidentais). Este estudo investiga a manutenção desses "muros mentais" nos dias atuais, após a queda do Muro de Berlim, a partir da análise do termo "Ossi", suas derivações lexicais e apelos visuais. A pesquisa é ancorada na teoria da Semântica de Frames (Fillmore, 1982, 1985), na noção de Construal (Langacker, 1987), no conceito de "Muro mental" (Palliwoda, 2019, 2022), e na noção de Frame-Shifting (Coulson, 2001). O objetivo é verificar a persistência dos frames negativos proposto pelos ocidentais e a sua aceitação pelo Ossi, conforme proposto por Queiroz (2024), através de um corpus de memes. Os resultados indicam que o Ossi ainda aceita o frame negativo proposto pelo Wessi, mas emprega o humor irônico como mecanismo de resistência e de ressignificação do frame de Ossi. Este processo de ressignificação transforma símbolos de inferioridade em elementos de orgulho e pertencimento, confirmando a continuidade da luta do Ossi por uma identidade validada nos dias atuais.
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