Gradiência de composicionalidade da construção X-NTE em dados do século XX
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v26iEspecial.12330Palavras-chave:
Nomes em -nte, Composicionalidade, Linguística Funcional Centrada no Uso, Gramática de ConstruçõesResumo
Este artigo estuda a composicionalidade da construção X-NTE, que licencia substantivos e adjetivos do português brasileiro formados pelo acréscimo do sufixo –nte a uma base verbal. O objetivo do trabalho é analisar a composicionalidade da construção, observando quais propriedades formais e funcionais contribuem para a maior/menor composicionalidade dos nomes deverbais em –nte. De modo mais específico, pretende-se: i) apontar propriedades formais e funcionais que podem servir como parâmetros de composicionalidade da construção; ii) analisar como e com que frequência esses parâmetros favorecem (ou não) a composicionalidade dos deverbais em –nte; iii) avaliar em que medida nomes em –nte podem ser considerados mais ou menos composicionais. A fundamentação teórica consiste em pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU) e da Gramática de Construções. A pesquisa, de caráter qualitativo com suporte quantitativo e abordagem descritivo-explicativa, analisou 367 ocorrências extraídas do Corpus para a História do Português Brasileiro (CPHPB). Foram identificados quatro parâmetros de composicionalidade: analisabilidade, herança da estrutura argumental do verbo-base, correspondência de sentido entre base e nome deverbal e especialização semântica. A inter-relação entre esses quatro parâmetros revelou um continuum de composicionalidade. Em sua maioria, os nomes em –nte demonstraram ser mais composicionais. Essa predominância é atribuída principalmente aos parâmetros de analisabilidade, correspondência de sentido entre a base verbal e o nome deverbal e especialização semântica de certos itens em contextos específicos. Apenas o parâmetro relacionado à herança (ou não) da estrutura sintático-semântica da base verbal indicou maior tendência à não composicionalidade.
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