Decolonialidade no contexto do ensino-aprendizagem de língua espanhola para uma comunidade quilombola

Autores

  • Naguyah Patricya Ferreira de Morais Universidade Federal de Alagoas
  • Flávia Colen Meniconi Universidade Federal de Alagoas
  • Natália Luczkiewicz da Silva Universidade Federal de Alagoas

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v26i3.12346

Palavras-chave:

Decolonialidade, Comunidade Quilombola, Ensino-aprendizagem, Língua Espanhola

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo analisar as experiências e as percepções de estudantes quilombolas da Comunidade Pau-Ferrado, a partir de atividades voltadas ao ensino-aprendizagem da língua e das culturas espanholas. O estudo insere-se na área da Linguística Aplicada, com ênfase nos estudos sobre Decolonialidade, ancorando-se nos aportes teóricos de autores como Quijano (2005), Oliveira e Candau (2010), Maldonado-Torres, (2016), Bernardino-Costa (2007), entre outros. Em relação à metodologia, trata-se de uma pesquisa-ação (Thiollent, 1986) realizada por meio de um curso básico de espanhol A1 para os moradores da Comunidade Quilombola Pau Ferrado - PE. O curso contou com a participação de 7 (sete) alunos de ambos os sexos e com 27 (vinte e sete) aulas ministradas pelo google meet e na sede da comunidade, das quais foram analisadas 5 (cinco) para esta pesquisa. Os instrumentos utilizados para a geração de dados foram um questionário aplicado no início e no final do curso e as interações em sala de aula. Com base na análise qualitativa, verificamos que os sentidos atribuídos à comunidade foram ampliados, sendo reconhecida como espaço de resistência, refúgio, força e ancestralidade. Essa ressignificação mostra que o trabalho didático-pedagógico desenvolvido contribuiu para a construção de novas formas de percepção sobre o pertencimento quilombola e para o fortalecimento identitário.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Referências

BENTO, M. A. S. Branqueamento e branquitude no Brasil. Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Rio de Janeiro: Vozes, p. 5-58, 2002.

BERNARDINO-COSTA, J. Colonialidade do poder e subalternidade: os sindicatos das trabalhadoras domésticas no Brasil. Revista Brasileira do Caribe, v. 7, n. 14, p. 311-345, 2007.

BERTAGNOLLI, G. L. Da colonialidade à descolonialidade: diálogos de ciências a partir de uma “epistemologia do sul” - uma análise de comunidades quilombolas. Grifos, v. 24, n. 38/39, p. 231-241, 2015.

BEZERRA, S. S.; ARAÚJO, J. N. de M.; AGRA, C. B. Pedagogia decolonial e ensino/aprendizagem de línguas adicionais: reflexões sobre narrativas autoetnográficas. Revista Sures, v. 1, n. 14, 2020.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394, 20 de dezembro de 1996. Brasília, 1996.

BRAÚNA, C. J. D.; SOUZA, D. da S.; SOBRINHA, Z. M. L. A. Letramento racial crítico: ações para construção de uma educação antirracista. Ensino em Perspectivas, v. 3, n. 1, p. 1-10, 2022.

CARDOSO, L. Branquitude acrítica e crítica: A supremacia racial e o branco anti-racista. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, v. 8, n. 1, p. 607-630, 2010.

FERREIRA, R. F.; CAMARGO, A. C. As relações cotidianas e a construção da identidade negra. Psicologia: ciência e profissão, v. 31, p. 374-389, 2011.

FLEURI, R. M. Interculturalidade, identidade e decolonialidade: desafios políticos e educacionais. Sér.-Estud., Campo Grande, n. 37, p. 89-106, jun. 2014.

MALDONADO-TORRES, N. Transdisciplinaridade e decolonialidade. Sociedade e estado, v. 31, p. 75-97, 2016.

MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos da metodologia científica. 7 ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.

MOREIRA JÚNIOR, R. dos S. Por uma pedagogia decolonial no ensino de língua espanhola: uma experiência remota durante a pandemia da Covid-19. Humanidades & Inovação, v. 8, n. 30, p. 63-81, 2021.

NASCIMENTO, B. Por uma história do homem negro. In: RATTS, A. Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza, 2006[1974].

OLIVEIRA, L. F. de; CANDAU, V. M. F. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Educação em revista, v. 26, n. 01, p. 15-40, 2010.

ORTIZ OCAÑA, A; ARÍAS LÓPEZ, M. I.; PEDROZO CONEDO, Z. E.; FIORI, C. Rumo a uma pedagogia colonial no/do Sul global. Revista X, n. 16, v. 1, p. 118–147, 2021.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: QUIJANO, A. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, Argentina, p. 117-142, 2005.

SANTOS, C. G.; SANTOS, J. R. de O.; KADRI, M. S. Letramento Racial Crítico na construção da Educação Antirracista nas aulas de língua inglesa da Educação Básica. Entretextos, v. 21, n. 2, p. 153-172, 2021.

SILVA, R. O. da; ANDRÉ, R. G.; WANDERLEY, S. E. de P. V.; BAUER, A. P. M. J. de C. A Colonialidade do Poder, do Ser e do Saber: Uma Contribuição para a Opção Decolonial em Estudos Organizacionais. Sociedade Contabilidade e Gestão, [sl], vol. 15, n. o 1, pág. 41–60, 2020. DOI 10.21446/scg_ufrj.v0i0.21599. Disponível em: http://dx.doi.org/10.21446/scg_ufrj.v0i0.21599.

SILVA, T. T. da. (Org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis (RJ): Editora Vozes, 2000.

SOUSA, N. A. de; SILVA, L. A. M. Influência da cultura local no processo de ensino e aprendizagem da comunidade quilombola Salinas. Revista Educação e Emancipação, v. 13, n. 1, p. p. 245–264, 2020.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1986. 108 p.

VIEIRA, C. M. et al. Reflexões sobre a meritocracia na educação brasileira. Reflexão e Ação, v. 21, n. 1es, p. 316-334, 20

Downloads

Publicado

2026-03-08

Como Citar

Ferreira de Morais, N. P., Colen Meniconi, F., & Luczkiewicz da Silva, N. (2026). Decolonialidade no contexto do ensino-aprendizagem de língua espanhola para uma comunidade quilombola. A Cor Das Letras, 26(3), 149–172. https://doi.org/10.13102/cl.v26i3.12346

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)