A função motiva a gramática: evidências de construções (de estrutura argumental) em português

Autores

  • Larissa Santos Ciríaco UFMG

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v26iEspecial.12347

Palavras-chave:

ergativa, passiva, cortei o cabelo, casando a amiga, frase como lema

Resumo

Todos nós sabemos que construções linguísticas apresentam uma produtividade restrita, admitindo novos usos e ao mesmo tempo restringindo suas possibilidades de uso. Muitas abordagens tentam dar razões para esse fato. Algumas tentam normalizar esses usos inusitados, buscando regras ou princípios generalizantes. Outras abordagens propõem condições semântico-lexicais, buscando propriedades das palavras que estariam em jogo. Mas a verdade é que ambas apresentam problemas e não conseguem explicar esse paradoxo. Assim, a pergunta que permanece é: por que usamos as construções da língua do modo que usamos? Neste artigo, argumentamos que uma abordagem construcionista baseada no uso é necessária para explicar esses fatos, visto que só ela reconhece o significado e a função comunicativa como aspectos centrais para a gramática. Usamos vários exemplos ao longo do artigo para ilustrar o poder explanatório de uma abordagem construcionista baseada no uso frente a abordagens formalistas e lexicalistas, e para mostrar como a função motiva a sintaxe e a semântica tanto no caso de padrões mais gerais, como as construções de estrutura argumental ergativa e passiva, como nos casos de padrões oracionais mais especiais, como as extensões da construção transitiva “cortei o cabelo” e “casando a amiga”. Por fim, também abrimos uma agenda de estudos futuros com exemplos em português de uma construção inovadora, recentemente descrita em inglês por Goldberg e Shirtz (2025): a construção “frase como lema”.

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Publicado

2026-01-10

Como Citar

Santos Ciríaco, L. (2026). A função motiva a gramática: evidências de construções (de estrutura argumental) em português. A Cor Das Letras, 26(Especial), 221–235. https://doi.org/10.13102/cl.v26iEspecial.12347