Vidas mínimas: representação da violência sobre crianças negras em dois contos de Marcelino Freire

Autores

  • Douglas Ferreira de Paula UFAM
  • Mariana Rissi Azevedo Universidade Federal do Amazonas

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12395

Palavras-chave:

literatura brasileira, Marcelino Freire, contos

Resumo

Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, das quase 35 mil mortes de jovens entre 2016 e 2020 no Brasil, 80% eram de negros. Entre 2017 e 2018 foram feitos mais de 858 mil registros de desaparecidos no país segundo o Conselho Nacional de Justiça (2021), estimando-se que 40% destes eram crianças e adolescentes negros. Essa realidade brutal imposta às vidas negras é representada na literatura de Marcelino Freire nos contos “Socorrinho” e “Faz de Conta que Não Foi. Nada” (Freire, 2019). Tal literatura pode ser enquadrada em um conjunto de textos que buscam figurar a violência, constitutiva da cultura brasileira (Pelegrini, 2005). Assim, temos, de um lado, a realidade social, de exclusão e violência, e, de outro, a representação desta realidade, que, segundo nossa hipótese de leitura, pode ser constituída por uma ambivalência que se liga tanto à denúncia e busca de superação da realidade retratada, quanto à figuração do exotismo para a complacência do público. O fato é que as crianças, sobretudo, negras, são negligenciadas por uma política perversa que avança sobre a vida, aniquilando-a (Mbembe, 2018). Se compreendemos que todas as vidas são dignas de serem vividas e até sepultadas (Butler, 2022), como os contos escolhidos permitem entrever, então, tanto a denúncia de um mundo dominado por poderes que violentam os corpos infantis quanto a estilização da miséria e da violência devem servir para refletir sobre a realidade e sobre a linguagem que a representa, como se pode, por exemplo, observar na organização estilística dos contos. Da leitura temático-estilística, tentaremos extrair reflexões sobre a realidade social, bem como sobre a criação literária do contista Marcelino Freire.

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Biografia do Autor

Mariana Rissi Azevedo, Universidade Federal do Amazonas

Obteve Licenciatura em Letras, inglês/português, pela União das Escolas do Grupo FAIMI de Educação (2006). Possui Especialização em Estudos Avançados em Língua Inglesa e Literatura de Língua Inglesa (pós graduação lato sensu) pela Universidade Estadual Paulista (2012). Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Letras no IBILCE, câmpus de São José do Rio Preto da UNESP (2015), Doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Letras na Escola de Humanidades Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul na área de Escrita Criativa com bolsa parcial CAPES. Em 2014 ingressou na Universidade Federal do Amazonas para lecionar Língua Inglesa e Literatura de Língua Inglesa, e em 2020 ingressou na Universidade Federal do Triângulo Mineiro atuando nas áreas de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Metodologia.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

Ferreira de Paula, D., & Azevedo, M. R. (2026). Vidas mínimas: representação da violência sobre crianças negras em dois contos de Marcelino Freire. A Cor Das Letras, 26(2). https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12395