POR UMA HISTÓRIA A PARTIR DOS CONCEITOS: ÁFRICA, CULTURA NEGRA E LEI 10.639/2003. REFLEXÕES PARA DESCONSTRUIR CERTEZAS
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v12i1.1488Resumo
Este artigo objetiva discutir alguns dos muitos conceitos utilizados pelos historiadores e estudiosos em geral para entender as práticas e os cos-tumes dos negros e negras do Brasil. O presente trabalho pretende refletir em torno de conceitos utilizados de forma acrítica, por especialistas de difer-entes áreas das ciências humanas, para desvendar ou traduzir temas relacio-nados com as religiões de terreiro, bem como com as manifestações culturais de um modo geral. O artigo também apresenta algumas reflexões em torno da Lei 10.639, que foi gestada sob a perspectiva do paradigma panafricanista, de que todos os negros e negras do mundo são africanos ou descendentes destes. Um dos muitos desdobramentos deste paradigma consiste em esta-belecer liames entre a história da África e dos negros e negras do Brasil, como se ambas consistissem em continuidades. Tais questões são tratadas como construções sócio-históricas, e como tal, passíveis da análise crítica.Downloads
Métricas
Referências
AJAYI, J. F. Ade. (Org.). História geral da África, v. VI — África do século XIX à década de 1880. Brasília: UNESCO/MEC, 2010.
APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai. A África na filosofia da cultura. Rio de Janei-ro: Contraponto, 2008.
ASANTE, S. K. B; CHANAIWA, David. O pan-africanismo e a integração regional. In: MAZRUI, Ali A; WONDJI, C. (Coord.). História geral da África, v. VIII — África desde 1935. Brasília: UNESCO/MEC, 2010, p. 872-896.
ASSUNÇÃO, Luiz. O reino dos mestres — a tradição da jurema na umbanda nordestina. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.
BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil — contribuição a uma sociologia das inter-penetrações das civilizações. São Paulo: Pioneira/USP, 1971.
BASTIDE, Roger. Estudos afro-brasileiros. São Paulo: Perspectiva, 1973.
BASTIDE, Roger. Imagens do nordeste místico em branco e preto. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1945.
BASTIDE, Roger. O candomblé da Bahia. São Paulo: Cia. das Letras, 2001.
BIRMAN, Patrícia. O que é Umbanda? São Paulo: Brasiliense, 1983.
BOAHEN, Albert Adu. (Org.). História geral da África, v. VII — África sob dominação colonial, 1880-1935. Brasília: UNESCO/MEC, 2010.
BRANDÃO, Maria do Carmo e RIOS, Luis Felipe. O catimbó-jurema do Recife. In: PRANDI, Reginaldo. (Org.). Encantaria brasileira. Rio de Janeiro: Pallas, 2001, p. 160-181.
BRANDÃO, Maria do Carmo Tinôco; NASCIMENTO, Luis Felipe Rios do. Nuevos modelos religiosos afro-recifenses y las políticas de identidad e integración. In: Antropologia en Casti-lla y León e IberoAmérica, V. Emigración e integración cultural. Salamanca: Ediciones Univer-sidad Salamanca, Instituto de Investigaciones Antropológicas de Castilla y León, s/d, p. 327-338.
CAMPOS, Zuleica Dantas Pereira. O combate ao catimbó: práticas repressivas as religiões afro-umbandistas nos anos trinta e quarenta. Tese (Doutorado em História). Recife, Univer-sidade Federal de Pernambuco, 2001.
CAPELLI, Rogério. Saindo da rota. Uma discussão sobre a pureza na religiosidade afro-brasileira. Dissertação (Mestrado em História). Niterói, Universidade Federal Fluminense, 2007.
CAPONE, Stefania. A busca da África no candomblé. Tradição e poder no Brasil. Rio de Janei-ro: Pallas/Contracapa, 2004.
CARNEIRO, Edison. Candomblés da Bahia. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
CARNEIRO, Edison. Negros Bantus. Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 1937.
CARNEIRO, Edison. Os cultos de origem africana no Brasil. Rio Janeiro: Ministério da Educa-ção e Cultura, 1959. Série Decimália.
CARVALHO, José Jorge. A tradição mística afro-brasileira. Série Antropologia. Brasília: UNB, 1998.
CASCUDO, Luis da Câmara. Meleagro — pesquisa do catimbó e notas da magia branca no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1978.
CASCUDO, Luis da Câmara. Notas sobre o catimbó. In: Idem. Novos Estudos Afro-Brasileiros. Recife: Ed. Massangana, 1988. Edição Fac-similar de Novos Estudos Afro-Brasileiros, Traba-lhos apresentados ao I Congresso Afro-brasileiro do Recife, segundo tomo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937;
COMAS, Juan; LITTLE, Kenneth I; SHAPIRO, Harry; LEIRIS, Michel; LÉVI-STRAUSS, Claude. Raça e ciência. São Paulo: Perspectiva, 1970.
DANTAS, Beatriz Góis. Vovó Nagô e papai branco usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
DECRAENE, Philipe. O pan-africanismo. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1962.
FERRETI, Sérgio Figueiredo. Repensando o sincretismo. São Paulo/São Luís: Edusp/Fapema, 1995.
FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. São Paulo: Global, 2006.
FRY, Peter. A persistência da raça. Ensaios antropológicos sobre o Brasil e a África austral. Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 2005.
GOMES, Nilma Lino. Sem perder a raiz. Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Classes, raças e democracia. São Paulo: Ed. 34, 2002.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Preconceito e discriminação — queixas de ofensas e tratamento desigual dos negros no Brasil. 2. ed. São Paulo: Ed. 34, 2004.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Preconceito racial. Modos, temas e tempos. São Paulo: Cortez, 2008.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Racismo e anti-racismo no Brasil. 2. ed. São Paulo: Ed. 34, 2005.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo; HUNTLEY, Lynn. Tirando a máscara. Ensaios sobre o racismo no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
HARRIS, Joseph E; ZEGHIDOUR, Slimane. A África e a diáspora negra. In: MAZRUI, Ali A; WONDJI, C. (Coord.). História geral da África, v. VIII — África desde 1935. Brasília: UNESCO/MEC, 2010, p. 849-871.
HASENBALG, Carlos A.; MUNANGA, Kabenguele; SCHWARCZ, Lília Moritz. (Org.). Racismo: perspectivas para um estudo contextualizado da sociedade brasileira. Niterói: EDUFF, 1998.
HASENBALG, Carlos. Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Rio de Janeiro, IUPERJ, 2005.
HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula. Visita à história contemporânea. São Pau-lo: Selo Negro, 2005.
KI-ZERBO, Joseph. História da África negra, v. I. Mem Martins (Portugal): Biblioteca Universi-tária, 2002.
KODJO, Edem; CHANAIWA, David. Pan africanismo e libertação. In: MAZRUI, Ali A; WONDJI, C. (Coord.). História geral da África, v. VIII — África desde 1935. Brasília: UNESCO/MEC, 2010, p. 897-924.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.
LANDES, Ruth. A cidade das mulheres. Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 1967.
LIMA, Ivaldo Marciano de França. Uma religião que cura, consola e diverte — as redes de sociabilidade da Jurema sagrada. Cadernos de Estudos Sociais, v. 20, n. 2, jul.-dez. 2004.
LOVEJOY, Paul. E. A escravidão na África. Uma história de suas transformações. Rio de Janei-ro: Civ. Brasileira, 2002.
LOVEJOY, Paul. Identidade e a miragem da etnicidade. A jornada de Mahommah Gardo Baquaqua para as Américas. Afro-Ásia, n. 27, p. 9-39, 2002.
LUZURIAGA, José Martin Desmaras. Jurema e cura — ensaio etnográfico sobre uma forma de jurema nas periferias do Recife. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Recife, Universi-dade Federal de Pernambuco, 2001.
M´BOKOLO, Elikia. África negra. História e civilizações — Tomo I (até o século XVIII). Salva-dor/São Paulo: EDUFBA/Casa das Áfricas, 2009.
MATTOS, Regiane Augusto de. História e cultura afro-brasileira. São Paulo: Contexto, 2007.
MBEMBE, Achille. As formas africanas de auto-inscrição. Estudos Afro-Asiáticos, n. 1, 2001, p. 172-209.
MELO, Elisabete; BRAGA, Luciano. História da África e afro-brasileira. Em busca de nossas origens. São Paulo: Selo Negro, 2010.
MEYER, Marlyse. Maria Padilha e toda a sua quadrilha — de amante de um rei de Castela a Pomba-Gira de umbanda. São Paulo: Duas Cidades, 1993.
MOTTA, Roberto Mauro Cortez. Jurema. In: MAIOR, Mário Souto; VALENTE, Waldemar. (Org.). Antologia Pernambucana de folclore. Recife: Massangana, 1988, p. 267-268.
MOTTA, Roberto. A invenção da África: Roger Bastide, Edison Carneiro e os conceitos de memória coletiva e pureza nagô. In: LIMA, Tânia. (Org.). Sincretismo religioso — o ritual afro. Anais do IV Congresso Afro-Brasileiro. Recife: Massangana/Fundaj, 1996, v. 4, p. 24-32.
MOTTA, Roberto. Antropologia, pensamento, dominação e sincretismo. In: BRANDÃO, Syl-vana. (Org.). História das religiões no Brasil, v. 3, Recife: Ed. da UFPE, 2004, p. 487-523.
MOTTA, Roberto. Catimbós, xangôs e umbandas na região do Recife. In: MOTTA, Roberto. (Coord.). Os afros-brasileiros. Anais do III congresso afro-brasileiro. Recife: Massangana, 1985, p. 109-123.
MOTTA, Roberto. Religiões afro-recifenses: ensaios de classificação. Revista Antropológicas, ano II, v. 2, Série Religiões populares, Recife: Ed. UFPE, 1997, p. 11-34.
MUNANGA, Kabengelê. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
NAXARA, Márcia Regina Capelari. Estrangeiro em sua própria terra. Representações do brasi-leiro — 1870/1920. São Paulo: Annablume/FAPESP, 2002.
NEGRÃO, Lísias. A umbanda como expressão de religiosidade popular. Religião e sociedade, Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 1979.
NEGRÃO, Lísias. Umbanda: entre a cruz e a encruzilhada. Tempo Social, São Paulo, v. 5, 1994.
]NEGRÃO, Lísias. Umbanda: entre a cruz e a encruzilhada: formação do campo umbandista em São Paulo. São Paulo: EDUSP, 1996.
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito de marca. As relações raciais em Itapetininga. São Paulo: EDUSP, 1998.
OGOT, B. A. A história das sociedades africanas de 1500 a 1800: conclusão. In: OGOT, B. A. (Org.). História geral da África, v. V — África do século XVI ao XVIII. Brasília: UNESCO/MEC, 2010, p. 1057-1069.
OLIVER, Roland. A experiência africana — da pré-história aos dias atuais. Jorge Zahar, Rio de Janeiro: 1994.
ORTIZ, Renato. A morte branca do feiticeiro negro: umbanda e sociedade brasileira. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.
PINTO, Clélia Moreira. Saravá Jurema Sagrada: as várias faces de um culto mediúnico. Dis-sertação (Mestrado em Antropologia). Programa de Pós Graduação em antropologia da UFPE, Recife, 1995.
QUEIROZ, Martha Rosa Figueira. Religiões afro-brasileiras no Recife: intelectuais, policiais e repressão. 1999. Dissertação (Mestrado em história). Programa de Pós-Graduação em Histó-ria, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 1999.
RALSTON, Richard David; MOURÃO, Fernando Augusto de Albuquerque. A África e o Novo Mundo. In: BOAHEN, Albert Adu. (Coord). História geral da África, v. VII — África sob domi-nação colonial, 1880-1935. Brasília: UNESCO/MEC, 2010, p. 875-918.
RAMOS, Arthur. As culturas negras no novo mundo. 4. ed. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1979.
RAMOS, Arthur. O folk-lore negro do Brasil — demopsychologia e psycanálise. Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 1935.
RAMOS, Arthur. O negro Brasileiro. Recife: Fundaj/Massangana, 1988 [1934].
REDIKER, Marcus. O navio negreiro. Uma história humana. São Paulo: Cia. das Letras, 2011.
RODRIGUES, Nina. O animismo fetichista dos negros baianos. Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 1935.
SALLES, Sandro Guimarães de. À sombra da jurema: a tradição dos mestres juremeiros na umbanda de Alhandra. Anthropólogicas, ano 8, v. 15, p. 99-122, 2004.
SANTOS, Jocélio Teles. O negro no espelho: imagens e discursos nos salões de beleza étnicos. Estudos Afro-Asiáticos, n. 38, p. 49-65, 2000.
SILVA, Alberto da Costa e. Francisco Félix de Souza, mercador de escravos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira/Ed. UERJ, 2004.
SOUZA, Mônica Lima e. Entre as margens: o retorno à África de libertos no Brasil (1830-1870). Tese (Doutorado em História). Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2008.
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Graal, 1990.
THORNTON, John. A África e os africanos na formação do mundo atlântico — 1400-1800. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
TURRA, Cleusa; VENTURI, Gustavo. (Org.). Racismo cordial — a mais completa análise sobre preconceito de cor no Brasil. São Paulo: Ática, 1998.
UFPE; SALLES, Sandro Guimarães de. À sombra da jurema encantada: mestres juremeiros na umbanda de Alhandra. Recife: Ed.UFPE, 2010.
VANDEZANDE, René. Catimbó. Pesquisa exploratória sobre uma forma nordestina de religião mediúnica. Dissertação (Mestrado em Sociologia). UFPE, Recife, 1975.
VEYNE, Paul. A história conceitual. In: LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. História: novos pro-blemas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
WESSELING, H. L. Dividir para dominar. A partilha da África 1880-1914. Rio de Janeiro: UFRJ/Revan, 1998.
WIEVIORKA, Michel. O racismo, uma introdução. São Paulo: Perspectiva, 2007.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Revista A Cor das Letras

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.

Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

