O uso variável dos clíticos acusativos para referenciar o interlocutor

Autores

  • Deyse Edberg Ribeiro Silva Gama Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v19i2.3699

Resumo

Este trabalho traz uma análise sobre o uso variável das formas clíticas te e lhe como estratégias de referência à segunda pessoa do singular, no Português do Brasil (PB) e, para tal, respaldou-se em dados de fala oral, coletados do município baiano de Feira de Santana, no interior do estado. Dentre os resultados, destacam-se os grupos de fatores faixa etária e escolaridade, sendo os falantes a partir de 65 anos (faixa III) os que mais fazem uso do clítico lhe para referenciarem o interlocutor. A escolaridade dos informantes confirma a hipótese de que os falantes com menor escolaridade fazem maior uso do clítico em sua forma não canônica, referenciando a segunda pessoa. Dessa maneira, este estudo agrega dados sobre a investigação de lhe como objeto direto de segunda pessoa em Feira de Santana, assim como em outras variedades do PB.

 

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Biografia do Autor

Deyse Edberg Ribeiro Silva Gama, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade EStadual de Feira de Santana e Mestre em Estudos Linguísticos pela mesma Instituição. Atualmente é aluna do curso de doutorado em língua portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Publicado

2019-01-01

Como Citar

Gama, D. E. R. S. (2019). O uso variável dos clíticos acusativos para referenciar o interlocutor. A Cor Das Letras, 19(2), 102–115. https://doi.org/10.13102/cl.v19i2.3699