A história de frei Genebro segundo a estética do pormenor
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v20i3.4769Resumo
Eça de Queirós impulsionado por circunstancialismos histórico literários, como a apreciação da tradição medievale a influência da pressão exercida por um espírito finissecular saturado da ciência e da civilização, cultivou, além do conto realista, contos inspirados no modelo tradicional da literatura oral com intuito pedagógico, aproximando-os da modernidade, através da inovação. Nessas composições, a estruturação tradicional passa a ser diluída em uma arquitetura narrativa apoiada no implícito, indiciado por diferentes recursos estilísticos e estratégias discursivas, como o uso do pormenor, da adjetivação sugestiva e de elementos da natureza de forma simbólica, efetivados por meio de uma fina ironia, que se relacionam, por sua vez, a uma temática recorrente na produção do autor: a oposição entre homem e natureza. A análise do conto “As Histórias. Frei Genebro” discute, pois, como a estratégia sutil que coloca em cena um elemento altamente significativo, nomeada como “estética do pormenor” (REIS, 2000), aliada ao modo de desenvolvimento dos recursos estéticos elencados revelam o objetivo crítico implícitopautado na reflexão sobre o homem e sua capacidade analítica interior. A argúcia crítica de Eça mira o passado para refletir sobre o homem – do passado e do presente – em suas idiossincrasias e fraquezas. A despeito da atemporalidade da questão, a recriação da matéria é sempre perpassada pelo espírito de seu tempo e pela ironia característica do autor, exigindo uma leitura atenta e ativa. Assim, nossa discussão a respeito do pormenor, da ironia e da análise interior do personagemapoiam-se em Barthes (2011), Reis (2000), Duarte (2006), Brait (2008) e Alves (2009).
Downloads
Métricas
Referências
ALVES, Sílvio César dos Santos. Uma proposta de evolução estética na obra de Eça de Queirós. CADERNOS DA FaEL. Vol. 2, nº. 6, p. 01-26, Set./Dez. de 2009. Disponível em: http://perseu.unig2001.com.br/cadernosdafael/vol2_num6/ARTIGO%20SILVIO%20CADERNOS%206%20NO%20FORMATO%20E%20REVISADO.pdf
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981.
BARTHES, Roland. Introduction à l’analyse structurale des récits. Communications. nº 8, Paris: Seuil, 1966, p. 01-27.
BERARDINELLI, Cleonice. Um tesouro de segunda mão. In: MINÉ, Elza; CANIATO, Benilde J. Anais do III Encontro Internacional de Queirosianos. 150 Anos com Eça de Queirós. São Paulo: Centro de Estudos Portugueses: Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa/ FFLCH – USP, 1997, p.166-174.
BRAIT, Beth. Ironia em perspectiva polifônica. 2ª. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2008.
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dictionnaire des symboles. Paris: Robert Laffont/ Jupiter, 1982.
CORTESÃO, Jaime. Eça de Queirós e a questão social. Lisboa: Seara Nova, 1949.
Dicionário de Eça de Queirós. Organização e coordenação de A. Campos Matos. Lisboa: Caminho 1988, s.v. Frei Genebro, p.284.
DA CAL, Ernesto Guerra. Língua e estilo de Eça de Queiróz. Tradução de Estella Glatt. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1969.
DAVID, Sérgio Nazar. O século de Silvestre da Silva. Estudos Queirosianos. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007.
DUARTE, Lélia P. A valorização do leitor na obra de Eça de Queirós (ou respondendo a Machado de Assis e a Fernando Pessoa). In: ___. Ironia e humor na literatura. Belo Horizonte: Editora PUC Minas; São Paulo: Alameda, 2006, p. 177-197, p.182.
NERY, Antônio Augusto. “Frei Genebro”, um franciscano queirosiano. In: SANTOS, Giuliano L. Ito; VANZELLI, José C.; SOUSA, Márcio Jean F. (Orgs.). A obra de Eça de Queirós por leitores brasileiros: ensaios do Grupo Eça. São Paulo: Terracota Editora, 2015.
PICCHIO, Luciana Stegagno. Invenção e remake nos contos de Eça de Queirós: “Frei Genebro”. In: MINÉ, Elza; CANIATO, Benilde J. Anais do III Encontro Internacional de Queirosianos. 150 Anos com Eça de Queirós. São Paulo: Centro de Estudos Portugueses: Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa/ FFLCH – USP, 1997, p.306-313.
POE, Edgar A.. A filosofia da composição. 2ª. ed. Prefácio de Pedro Süssekind e tradução de Léa Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: 7Letras, 2011.
QUEIRÓS, Eça de. Prefácio dos Azulejos do Conde de Arnoso. In: REIS, Carlos; RIBEIRO, Maria Aparecida. (Orgs.). História crítica da literatura portuguesa. Lisboa: Editorial Verbo, 1994, vol. VI, p.209-213.
QUEIRÓS, Eça. Contos I. Edição Crítica de Marie Hèlene Piwnik. Lisboa: Casa da Moeda-Imprensa Nacional, 2009.
REIS, Carlos. Eça de Queirós Cônsul de Portugal à Paris 1888 – 1900. Paris: Centre Culturel Calouste Gulbenkian – Portugal, 1997.
REIS, Carlos. Eça de Queirós e a estética do pormenor. In: REIS, C. Et al. Actas do Congresso de Estudos Queirosianos. IV Congresso Internacional de Queirosianos. Coimbra: Almedina, 2002, p. 13-29.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Revista A Cor das Letras

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.

Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

