Jorge Amado e o mito da família de Ojuaruá
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v22i3.7764Palavras-chave:
Jorge Amado, Representação, Identidade, Mito, AncestralidadeResumo
As literaturas negro-orais corroboram com a construção das identidades brasileiras, especialmente no que concerne a representação da identidade baiana, elas são uma das riquezas encontradas na literatura de Jorge Amado. A Obra O Compadre de Ogum traz consigo representações identitárias primordiais para a compreensão da influência dos mitos negros no corpo social brasileiro. Nela, Jorge Amado demonstra, através dos mitos do candomblé na vida dos sujeitos/iniciados, a continuidade das identidades negras, e faz isso numa narrativa assentada no humor e sincretismo. Desse modo, o presente artigo, a partir das reflexões de estudiosos como Stuart Hall (2014), Luiz Silva (2010), consiste numa análise de identidades negras e suas representações por meio da família de Ojuaruá, uma família com identidades complexas. Todavia, a narrativa demonstra como estamos todos, personagens ficcionais ou reais, imersos no contexto mitológico dos orixás. A representação da poética dos orixás e suas identidades, em O Compadre de Ogum, nos permite estudar dispositivos que se apresentam como traços de denúncia de racismo religioso, bem como, também permite analisar que a vida está em confluência a mitologia negro-religiosa. Portanto, se discute sobre representações e identidades de personagens negras em suas formas e movimentos na sociedade representada pela literatura amadiana.
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