Entre o silêncio e a palavra: a autorrepresentação da mulher negra em Úrsula de Maria Firmina dos Reis
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.9245Palavras-chave:
Literatura, autorrepresentação, mulher negra, silenciamentoResumo
Este artigo empreende uma análise sobre a autorrepresentação da mulher negra no romance Úrsula, de autoria da maranhense oitocentista Maria Firmina dos Reis. Teve em vista responder a seguinte problemática: de que forma a mulher negra se autorrepresenta em Úrsula? Para tanto, buscou-se contemplar alguns aspectos históricos e sociais concernentes à condição da negritude feminina no país no contexto em que a obra está inserida, além de identificar as formas de silenciamento ou rompimento deste, pela mulher negra na referida obra, como também analisar o olhar afro-feminino presente na narrativa enfatizando a autorrepresentação como forma de transgressão do silenciamento imposto. Trata-se de um trabalho bibliográfico, o qual adotou uma abordagem qualitativa e análise temática de obra literária que serve aos propósitos teóricos iniciais, apoiando-se em autores como Reis (2018), Duarte (2018-2019), Evaristo (2005-2013). Gonzalez (2020) e Orlandi (2007). Os resultados apontam que o silenciamento do ser negro feminino está alicerçado sob a tríade sexo, raça e classe, especialmente os dois primeiros. Isto é, pelas próprias instituições escravocrata, patriarcalista e mesmo a dinâmica social as quais, irmanadas, delegaram à negra um lugar de não-fala, transgredida, no entanto, pela voz enunciativa da personagem Susana, mulher negra, e da voz que narra a história. Ao assim fazer, marca-se um novo fazer literário: o da autorrepresentação. Este por sua vez comprometido com um viés político e com o resgate da memória e da história real do povo negro, afim de reconstruir ou reafirmar sua identidade cultural.
Palavras-Chaves: Literatura. Autorrepresentação. Mulher negra. Silenciamento.
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