Macunaíma e Casa grande & Senzala: uma análise decolonial das traduções de Héctor Olea e Antonio Barandiarán
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v24iEspecial.9350Palavras-chave:
Tradução (de) colonial; Marcadores Culturais; Macunaíma; Casa Grande & Senzala;Resumo
Neste artigo, propomos uma análise da tradução de Macunaíma, de Mário de Andrade, e de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freire, para a língua espanhola, colocando no centro do debate o tradutor como mediador que atua na produção de um discurso complexo. Objetivamos apresentar uma análise de elementos lexicais e intersemióticos que evidenciam a postura decolonial na tradução realizada por Héctor Olea e dos traços da colonialidade na tradução de Antonio Barandiáran. As escolhas denunciam uma prática tradutória e os interesses ideológicos e socioculturais que influenciam as decisões do tradutor. A metodologia do trabalho é de caráter bibliográfico-comparativo, baseando-se nas pesquisas empreendidas por Santos (2021) e Costa (2020), e situa-se nos estudos dos marcadores culturais na Tradução (AUBERT, 2006), nas discussões sobre decolonialiade (QUIJANO, 2000; MALDONADO-TORRES, 2007) e nos estudos da tradução (VENUTI, 1995; 2002; COSTA, 2005). Concluímos que em Macunaíma o tradutor optou por uma tradução decolonial, ao valorizar representações da cultura dos povos originários da América; e na tradução de Casa Grande & Senzala, o tradutor optou por uma tradução colonizadora, ao reproduzir estereótipos da cultura brasileira para o público europeu.
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