Por uma narrativa do reencantamento: A poética do não esquecimento de Ailton Krenak e Daniel Munduruku
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v12i2.7743Abstract
Compreender o texto narrativo como parte de um conjunto de expressão artística que integra o repertório cultural humano permite reconhecer a sua potência de ressignificação, o que implica no registro de diversos olhares sobre o mundo em que nos situamos. Levando em consideração o desdobramento dessas visões, é pertinente o entendimento da narrativa como possibilidade de marcar a presença de uma humanidade no planeta, visto que ela se inscreve na necessidade universal do homem em organizar sua experiência de vida e dar sentido à própria história, através da oralidade, da escrita ou das imagens. Nesse sentido, o presente estudo discute a narrativa de autoria indígena como oportunidade de se reconsiderar a experiência de estar vivo, imbrincada em uma identidade terrena, incluindo aí uma poeticidade. Com base na perspectiva da Nova História Indígena, que se ocupa de conhecimentos e percepções de sujeitos e povos indígenas em suas historicidades, isto é, refere-se a formas indígenas de pensar, agir e ser com base em suas vivências culturais específicas e sua presença em nossa sociedade, o texto ocupa-se de dois pensadores indígenas da atualidade: Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo (2019) e Daniel Munduruku em Mundurukando (2010). Acreditamos, ao escolher os referidos autores, que ambos oferecem um acesso a determinadas redes de conhecimentos dos povos originários, de forma a evidenciar a construção de uma outra lógica, especialmente pertinente para pensar a narrativa como possibilidade de reencantamento do mundo e com o mundo.
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