CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESSÊNCIA DO PENSAR
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i38.4282Abstract
Num escrito registrado entre 1944 e 45 intitulado Para discussão da serenidade, do filósofo alemão Martin Heidegger, temos retratada a conversa entre um pensador, um erudito e um professor. O tema da conversa é a questão sobre a essência do homem que acaba convergindo para a questão sobre a essência mesma do pensamento - que, tradicionalmente, é concebido como representação; isto é, como um querer. Contudo, no começo da conversa que se estabelece entre os três personagens, fica assentado que a essência do pensamento não se confunde com o pensamento mesmo. Sendo assim, se o pensamento é caracterizado como vontade, como querer, sua essência deve ser algo como o não-querer. Eis o problema posto, eis o nó da conversa. Porque esse não - querer não pode ser fruto da vontade (isto é, do próprio pensamento), enquanto essência do pensamento, o não-querer deve acontecer antes mesmo de qualquer vontade que queira dominar a realidade. É necessário colocar-se, então, na dimensão na qual o pensamento, compreendido como vontade, ainda não se determinou. E colocar-se nessa dimensão é estar entregue ao fenômeno da serenidade, que traduz a experiência mesma do pensar.Downloads
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